Secretário aceita ajuda, mas quer Exército em presídios e favelas

São Paulo agora quer o Exército nas ruas. O secretário da Segurança Pública, Saulo Abreu, pediu publicamente o engajamento de tropas da Infantaria para ocupar áreas dominadas pelo tráfico de drogas e na guarda de presídios. Mas o secretário não quer apenas os 2 mil homens que lhe foram oferecidos pelo Ministério da Justiça. Saulo afirmou que seriam necessários pelo menos 4.500 homens do Exército - 1.500 por turno - para ajudar "com eficácia" no combate à criminalidadeno Estado. Saulo disse, porém, que eles seriam utilizados apenas em tarefas específicas, como a segurança de presídios destruídos por rebeliões e o reforço de efetivo nas Operações Saturação por Tropas Especiais (Ostes), realizadas pela Polícia Militar em favelas da capital e da Grande São Paulo para sufocar o tráfico de drogas. "Eu quero o Exército para esse papel. Se aceitar, pode vir que será bem-vindo".O ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos afirmou no final da manhã que pretendia reiterar a oferta de tropas federais e de vagas no Presídio Federal de Catanduvas ao governado Lembo. Segundo a reportagem da Rádio Eldorado, o ministro cancelou sua agenda para permanecer na capital paulista, diante dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) ocorridos durante a madrugada.O ministro deu a entender que se o governo de São Paulo tivesse aceitado as tropas federais, os ataques desta madrugada não teriam acontecido. Bastos enfatizou que a questão da segurança deve ser tratada de forma diferenciada, longe das disputas eleitorais.Esquema especialO governador Cláudio Lembo (PFL) afirmou que não há previsão de esquema especial de policiamento no Dia dos Pais, 13, quando poderá ocorrer mais uma série de ataques, como parte da nova onda de violência no Estado. O governador descartou ainda a transferência de Marcos Williams Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC), para o presídio federal de Catanduvas (PR). "Ele vai continuar em (Presidente) Venceslau". Durante a entrega de 433 carros à Polícia Militar em São Paulo, o governador disse que a nova onda de ataques criminosos registrou "situações muito simbólicas, mas sem efetividade", referindo-se aos atentados a bomba nos prédios do Ministério Público estadual e da Secretaria Estadual da Fazenda.Lembo disse que há várias hipóteses que teriam motivado a retomada dos ataques, mas ainda seria cedo para apontar uma delas como a causa real. "Há a (hipótese) de que o Ministério Público não permitiria o indulto aos presos no Dia dos Pais." Segundo ele, há sempre uma "reserva de bandidagem" em um Estado de 40 milhões de habitantes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.