Secretário acredita em fim de ataques de criminosos a juízes

O secretário de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, Nagashi Furukawa, disse hoje, em Ribeirão Preto, não acreditar que os ataques de criminosos a juízes de Execuções Criminais e Penais continuem. "Espero que tenha sido um incidente isolado, como tudo indica que foi", comentou ele. "Não acredito que isso vá se estender." Furukawa participou da inauguração da Penitenciária Feminina de Ribeirão Preto e ainda descartou qualquer possibilidade do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, permanecer em presídios paulistas a partir de sexta-feira. ?Isso não vai acontecer, não será pedida a prorrogação do prazo, não adianta especular", garantiu. "O pedido do ministro (da Justiça) Márcio Thomaz Bastos foi para 30 dias"."O tempo que ele (Beira-Mar) tinha que ficar em São Paulo, ficou. O governo federal teve o tempo necessário para escolher outro lugar para ele, e tenho certeza que será um presídio de segurança máxima, onde não se comunique com pessoas do lado de fora", afirmou.Furukawa não sabia do assassinato do juiz da Vara de Execuções Penais de Vitória, Alexandre Martins de Castro Filho, ocorrido duas horas antes do evento de Ribeirão Preto, por isso foi evasivo. "Não tenho informação sobre isso", resumiu ele. O secretário destacou, porém, que, no Estado, após a morte do juiz-corregedor de Presidente Prudente, Antônio José Dias Machado, a Secretaria de Segurança Pública designou PMs para as escoltas de juízes que trabalham com execuções criminais.Em Ribeirão Preto, quase oito meses após a desativação da Cadeia Pública de Vila Branca, o local foi reformado por presos do regime semi-aberto, teve custos de R$ 136 mil, e terá nova destinação: será uma penitenciária feminina, com capacidade para 300 mulheres. A unidade deverá começar a receber as detentas a partir da próxima semana, preferencialmente 130 da região - Terra Roxa, São Simão, Rincão, São José da Bela Vista, Altinópolis e Fernando Prestes - e outras de São Paulo e Taubaté. Os cerca de 150 funcionários (a maioria mulheres), entre agentes penitenciários e de escolta, estão em fase final de treinamento, segundo o diretor da unidade, Carlos Eduardo Vianna.O prédio, que antes era administrado pela Secretaria de Segurança Pública, tinha capacidade para 294 presos, mas chegou a ter quase 700 detentos no final dos anos 1990. A cadeia foi desativada em 26 de julho pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), três dias após a gravação de uma escuta telefônica autorizada pela Justiça revelar que os presos compravam drogas e até pizzas por telefone celular. Antes, até barris de chopes foram encontrados. O caso virou um escândalo e, no início de campanha eleitoral, Alckmin determinou que os 246 detentos fossem transferidos rapidamente de presídio.Outro presídio poderá abrigar mulheres na região de Ribeirão Preto. A Cadeia de Araraquara, masculina, deverá ser desativada e passar pelo mesmo processo da nova penitenciária feminina de Ribeirão Preto, com o uso de mão-de-obra de presos do regime semi-aberto e até o apoio da prefeitura local. O projeto ainda não está pronto e o prazo de mudança ainda não tem prazo definido. "Também não sei se há disponibilidade orçamentária para iniciar a obra já ou se vai depender de uma suplementação de verba", disse Furukawa. Os atuais presos condenados iriam para penitenciárias e os provisórios para os Centros de Detenções Provisórias (CDPs).

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