Secretário agora diz ter falado em 'situação hipotética' Acusação foi feita em vídeo

O secretário estadual de Meio Ambiente e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), voltou atrás e disse ontem que não recebeu oferta de propina pela liberação de emenda. "Falei em uma hipótese e que não deveria ser aceita. Não disse que aquele caso aconteceu em específico. Retifico o que falei. Estava dando um exemplo hipotético do que fazer num caso como aquele", disse Bruno Covas.

O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2011 | 03h06

Em entrevista gravada à coluna Direto da Fonte, concedida há cerca de um mês, o secretário deu a declaração ao responder se já havia passado por situação envolvendo corrupção (www.estadao.com.br/e/bruno). "Ah, já. Uma vez, consegui uma emenda parlamentar de R$ 50 mil para obra de um município. Assinamos o convênio e depois o prefeito veio perguntar com quem ele deixava os 5 mil", contou. "Respondi: 'Doa para a Santa Casa, eu que não vou ficar com isso'. Não sei se ele contou para os outros, mas foi o único caso que eu tive na Assembleia". Para a cúpula tucana, o secretário recuou após a repercussão da declaração.

Na última sexta-feira, o Estado mostrou que o deputado estadual Roque Barbiere (PTB) havia denunciado que pelo menos 30% dos seus colegas da Assembleia Legislativa de São Paulo estavam ganhando dinheiro por meio da venda de emendas e fazendo lobby de empreiteiras junto a administrações municipais.

A revelação foi feita no dia 10 de agosto, ao programa Questão de Opinião, em um canal da internet. Foram 40 minutos de depoimento concedido ao entrevistador Arthur Leandro Lopes. "Não é a maioria, mas tem um belo de um grupo que vive e sobrevive e enriquece fazendo isso", afirmou.

Durante a entrevista, gravada em vídeo, Barbiere disse que não ia citar os nomes dos envolvidos, porque não era "dedo-duro". No entanto, garantiu: "Mas existe, existe do meu lado, existe vizinho, vejo acontecer. Falo para eles inclusive para parar".

Após a revelação, Barros Munhoz (PSDB), presidente da Assembleia, disse que a denúncia de Barbiere "caiu como uma bomba" na Casa.

O Ministério Público do Estado abriu inquérito para investigar o caso. A Assembleia paulista abriga 94 parlamentares. Segundo as contas do deputado, cerca de 30 pares seus se enquadram no esquema de tráfico de emendas.

Barbiere, também conhecido como Roquinho, cumpre o sexto mandato consecutivo de parlamentar estadual e integra a base aliada do governo Geraldo Alckmin (PSDB). Ele está na política há 29 anos.

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