Secretário contesta números sobre homicídios em Alagoas

Reportagem da 'Folha de S.Paulo' aponta o Estado como o mais violento em número de assassinatos em 2008

Ricardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2009 | 17h01

O secretário estadual de Defesa Social, delegado federal aposentado Paulo Rubim, contestou nesta quarta-feira, 15, os dados apresentados no último final de semana pelo jornal Folha de S.Paulo, que apontam Alagoas como o Estado com o maior número de homicídios registrados no País, em termos proporcionais. De acordo com levantamento feito pelo jornal, o índice de homicídios por 100 mil habitantes passou de 37,2 em 2005, para 66,2 em 2008. Com base nesses números, a violência em Alagoas teria crescido bem mais que nos outros Estados, superado Espírito Santo, Pernambuco e Rio de Janeiro.

 

Segundo Rubim, os números do governo estadual mostram uma redução média de 25% nos homicídios registrados nos três primeiros meses deste ano, em comparação com igual período de 2008. O levantamento foi feito pela Gerência de Estatística e Análise Criminal, da Diretoria de Estatística e Informática da Polícia Civil (Deinfo).

 

De acordo com o secretário, em janeiro deste ano foram registrados 168 homicídios em Alagoas, contra 176 no ano passado; em fevereiro de 2009 foram 164 homicídios, contra 220 em 2008, uma redução de 25,5%; e em março aconteceram 165 homicídios contra 213 homicídios, o que representa uma redução de 22,5%.

 

Rubim disse ainda que os assassinatos registrados apenas em Maceió também apresentam redução. Em março, foram 74 homicídios na capital alagoana, contra 97 no mesmo mês do ano passado - redução de 23,7%. O secretário reconhece que a violência ainda é grande em Alagoas, mas descarta o título de Estado mais violento do Brasil.

 

O delegado contou ainda que pediu ao secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestrini, um levantamento oficial dos números de homicídios de 2008. Segundo Rubim, no momento não há como fazer o levantamento oficial porque alguns Estados ainda não enviaram o número de homicídios.

 

Para Rubim, os dados apresentados na reportagem da Folha são "falhos" e "imprecisos". O secretário disse ainda que desconhece quais foram as bases utilizadas pela pesquisa divulgada. "Não sei qual foi a metodologia usada nessa pesquisa da Folha, por isso fica difícil de avaliar, mas uma coisa é certa não representa a realidade, cuja tendência é de queda".

 

Com relação à superlotação nas delegacias de polícia em Alagoas, o secretário disse que "não vai assumir a responsabilidade pelas delegacias lotadas porque não vai carregar nas costas o Brasil todo, como Jesus carregou a cruz". Segundo Rubim, o problema da superlotação atinge delegacias de todo o País.

 

O secretário admitiu que ainda falta estrutura para as polícias Civil e Militar no interior, mas que vem trabalhando para que essas carências diminuam. "Sei que faltam viaturas, reformas de delegacias, um IML no Sertão, mas estamos trabalhando para conseguir recursos e sanar esses problemas", assegurou.

 

Decreto lei

 

Segundo o secretário, um decreto lei está sendo preparado para colocar em situação de emergência a segurança pública e com isso dispensar a secretaria de realizar licitações para a reforma das delegacias de polícia do Estado. "Com isso, vamos agilizar as obras e recuperar as delegacias, que estão em péssimos condições de funcionamento", afirmou.

 

Rubim disse ainda que a superlotação das delegacias também será atacada com a construção de presídios, com recursos do governo federal e contrapartida do Estado. "Com as delegacias superlotadas, os policiais se limitam a tomar conta de preso s. Com isso, os inquéritos abertos ficam em segundo plano e as investigações não avançam", acrescentou.

 

O secretário reconheceu que ainda é muito baixo o número de inquéritos que resultam em condenação de criminosos em Alagoas, mas garantiu que todos os corpos por morte violenta que dão entrada no Instituto Médico Legal em Maceió (IML) são objeto de inquérito policial. "Pode ser que não dê em nada, que demore a sair um resultado, mais o inquérito é aberto", garantiu.

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