Secretário da Educação de Kassab se filia ao PSD

Aliado de Serra, Alexandre Schneider diz que não o consultou para tomar a decisão; ele já é apontado como possível pré-candidato do partido em SP

LUCAS DE ABREU MAIA, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2011 | 03h05

Aliado do ex-governador José Serra, o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, filiou-se ontem ao PSD, partido recém-criado pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab. Possível candidato à sucessão do atual chefe pela nova legenda, ele admite estar no seu radar a disputa pela Prefeitura paulistana. Não fala, no entanto, em datas.

A filiação foi consumada em uma reunião ontem com Kassab. "Achei mais coerente", disse ele sobre a migração partidária. O secretário anunciou a saída do PSDB em agosto. "Não poderia continuar em um partido que, nas eleições do ano que vem, deve se opor à gestão da qual participo", completou.

Schneider, que ocupa a Secretaria da Educação desde a gestão de Serra na Prefeitura, será o responsável por redigir o capítulo sobre educação do programa partidário do PSD. O tema educacional deve se tornar destaque na campanha do ano que vem, sobretudo se forem confirmadas as candidaturas do ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), e do deputado Gabriel Chalita (PMDB) - ambos têm o assunto como bandeira principal.

O secretário, contudo, nega uma pré-candidatura. "Isso está fora de cogitação", disse ele. "O candidato do prefeito, agora, é o secretário do Meio Ambiente, Eduardo Jorge (PV) e estamos trabalhando para que ele aceite concorrer à Prefeitura", disse.

Embora Kassab publicamente defenda a candidatura de Eduardo Jorge - que agregaria o PV à aliança que disputaria a Prefeitura, com a possibilidade de atrair ainda PSB e PC do B -, aliados encaram Schneider como uma alternativa, caso a indicação do verde não se concretize.

Mas é o vice-governador Guilherme Afif, aliado de primeira hora do atual prefeito e um dos fundadores do PSD, que lidera a lista dos nomes que poderiam defender o legado de Kassab nas eleições do ano que vem.

Questionado sobre suas ambições políticas, porém, Schneider não nega o desejo de ocupar a Prefeitura. "Obviamente, gostaria de um dia ser candidato e prefeito de São Paulo. Se eu pudesse escolher uma função pública, seria esta", disse.

Ele afirma não ter consultado Serra sobre a migração: "Achei melhor não falar disso com ele, até para poupá-lo". "Mas continuamos próximos", ressaltou, acrescentando que o tucano "será meu candidato" se concorrer à Presidência em 2014.

Independente. Em Brasília, o apoio do PSD ao governo Dilma não será automático. Convidado a participar da reunião semanal de partidos aliados na Câmara, o líder do novo partido, deputado Guilherme Campos (SP), fez questão de declarar que a sigla "nasce independente".

"A simbologia de estar participando de uma reunião da base destrói qualquer discurso", argumentou ontem, ao recusar o convite do líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Segundo o petista, o governo avaliou positivamente a criação da sigla. "A maioria que formou o PSD votou favorável ao governo em boa parte dos temas propostos. A minha expectativa é que o partido venha a compor a base do governo", disse.

A expectativa do PSD é formar uma bancada entre 55 e 60 deputados, dois senadores e lançar candidatos a vereador em todos os municípios nas eleições de 2012.Mas o partido de Gilberto Kassab ainda não fez uma projeção do número de candidatos a prefeito que deverá lançar nas eleições municipais. "Qualquer número neste momento é chute. A procura pelo partido cresceu muito nos últimos dois dias", afirmou Campos. / COLABOROU EUGÊNIA LOPES e DENISE MADUEÑO

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