Secretário da Segurança de SP diz que não deixa o cargo

O secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Abreu, disse nesta quata-feira, em Campinas, que desconhece operações de infiltração de presos em quadrilhas e negou que tivesse coordenado a ação que resultou na morte de 12 suspeitos de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) em uma rodovia de Sorocaba, no último mês de março. "Não tenho o menor envolvimento no caso", garantiu Abreu, afirmando que não pretende se afastar da Secretaria. "Não atendo a vontade de alheios", disse, referindo-se a movimentos que pediram sua saída. Segundo ele, esses movimentos são orquestrados "pelas mesmas pessoas físicas, pelo menos duas", mas comentou não se lembrar dos nomes. O secretário afirmou que avalia com "indignação" a divulgação, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da carta de um suposto informante da polícia, que teria apontado seu envolvimento na operação em Sorocaba. O preso escreveu que esteve com o secretário, para discutir sua infiltração na quadrilha, meses antes da ação. Abreu lamentou que a OAB não tenha checado a veracidade das informações antes de divulgar o conteúdo da carta à imprensa. "Tem que avaliar o mínimo de veracidade. Essa carta não traz nenhum prova nova para o caso", alegou, dizendo ter ficado sabendo da operação seis dias antes de ela ocorrer.O secretário afirmou ainda que somente foi informado de que a ação estava de fato em curso quando a polícia já fazia o cerco aos bandidos na rodovia, avisado pelo então comandante da PM no Estado, coronel Rui César Melo. "Eu me dirijo a duas pessoas, o comandante geral da PM e o delegado geral da Polícia Civil", enfatizou, voltando a negar o episódio de que poderia ter participado diretamente da infiltração do preso na quadrilha."Não conheço casos específicos de infiltração, mas reconheço que eles existem e apóio", resumiu Abreu. Ele acrescentou que o remanejamento de presos de cadeias para participar de ações policiais somente pode ser feito com autorização da Justiça.O secretário indicou, apesar de não ter dito claramente, que a infiltração do detento na operação em Sorocaba somente poderia ter ocorrido com autorização judicial. Ele esteve em Campinas à tarde para entregar 20 viaturas que serão usadas em rondas escolares. Abreu adiantou ainda que a inauguração da primeira delegacia poupa-tempo do interior está prevista para o final deste mês na cidade, onde funciona o 5º Distrito Policial. Além de agilizar o atendimento às ocorrências, a delegacia disponibilizará assistente social e psicólogo a vítimas, e programas de apoio a testemunhas. O secretário explicou que o objetivo a médio prazo é transformar os 12 distritos de Campinas em delegacias poupa-tempo.O diretor do Departamento da Polícia Civil do Interior 2, Laerte Goffi Macedo, comentou que em dois meses um quinto distrito, o 2º ou o 6º, será destacado para plantões noturnos e de finais-de-semana. Atualmente, apenas quatro ficam abertos 24 horas.

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