Secretario da Segurança Pública de SP fará mudanças em 2003

Com a confirmação de Saulo Abreu na Secretaria da Segurança Pública não haverá mudança nas chefias das Polícias Civil e Militar do Estado de São Paulo. Abreu determinou que a partir dos primeiros dias de 2003 as duas polícias reforcem seus esquemas para o combate às quadrilhas de ladrões de cargas e carros, aos donos dos desmanches - considerados os "incentivadores" da maioria dos furtos e dos roubos de veículos na capital e na Grande São Paulo - e quer também que continue a caçada aos seqüestradores. Na Polícia Civil, o delegado-geral, Marco Antonio Desgualdo, deverá mudar a maioria das chefias do interior. O comandante da PM, coronel Alberto Rodrigues, deverá reformular alguns comandos da capital, Grande São Paulo e interior. O furto e o roubo de carros serão uma das prioridades da Polícia Civil. De janeiro a outubro deste ano, foram furtados e roubados na capital e na Grande São Paulo 161.755 veículos. No ano passado, no mesmo período, os ladrões levaram 182.209. Apesar da queda, o diretor do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), Godofredo Bittencourt Filho, disse que é preciso reduzir ainda mais essas ocorrências. Segundo ele, quando assumiu o Deic, há quase três anos, havia na capital 1.270 desmanches. Hoje, são 275. O número de furtos e roubos de veículos também era grande. "Vamos combater as quadrilhas usando o setor de inteligência do departamento." Uma grande parte dos veículos furtados e roubados desaparece nos desmanches. Outros carros rodam como dublê (automóveis usados pelos ladrões com documentos e placas falsas), na capital, em cidades do interior paulista e em outros Estados. O Paraguai deixou de ser o principal receptador de veículos roubados do Brasil. Hoje, os paraguaios querem dos ladrões brasileiros somente carros importados como Mercedes-Benz e BMW. Nome - A Divisão de Investigações sobre Furtos e Roubos de Veículos e Cargas (Divecar) vai mudar de nome e de diretor. O delegado Itagiba Franco terá a responsabilidade de impedir o avanço dos ladrões. Ele assume na primeira semana de 2003 e vai trocar os titulares das delegacias e os investigadores. As instalações das delegacias de combate aos furtos e roubos de veículos, cargas, carros, falsificação de documentos e desmanches deverão passar por uma reforma. Os móveis são antigos, a maioria dos computadores foi doada aos policiais e o setor de telefonia deverá melhorar. No começo do governo Mário Covas, as empresas de seguros de veículos queriam modernizar o setor de combate ao furto e ao roubo de carros e cargas. Por isso, fizeram um estudo e informaram que pagariam tudo. O secretário da Segurança da época, José Afonso da Silva, recusou. Ele também proibiu que os policiais, civis e militares, recebessem de 5% a 10% do valor do carro que recuperavam e entregavam às seguradoras. Silva sabia que os policiais se empenhavam na localização dos veículos com seguro e deixavam de lado os que não tinham seguro. Apesar da proibição, os policiais continuam recebendo das recuperadoras. O prêmio caiu para 1% do valor do veículo. No começo do mês, o secretário determinou a troca de dois diretores, mudando os departamentos da capital e da Grande São Paulo. Na seqüência foram remanejados os delegados seccionais e a maioria dos titulares de distritos. O delegado-geral estuda a instalação de um departamento que terá a mesma função do Departamento de Polícia do Consumidor (Decon), extinto pelo ex-secretário Marco Vinicio Petrelluzzi por causa das seguidas denúncias de corrupção. Desgualdo deverá melhorar as condições da delegacia especializada no combate aos crimes na internet, que funciona sem recursos e com número pequeno de policiais. Prometeu reforçar os distritos policiais e as chefias das Seccionais com mais investigadores e carros.

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