Secretário de Celso Daniel não crê em crime político

O secretário de Serviços de Santo André, Klinger Luiz de Oliveira Sousa, reafirmou em entrevista coletiva na Prefeitura que esteve no apartamento do prefeito Celso Daniel no sábado, dia seguinte ao seqüestro do prefeito, e disse que não acredita em crime político. Sobre sua ida ao apartamento, ele descreveu ter ido acompanhar Ivone de Santana, namorada de Daniel, porque ela tinha detectado falha na secretária eletrônica do apartamento. "A mensagem com a voz do prefeito estava apagada", observou.Ele disse não ser um freqüentador do apartamento do prefeito, e que no dia em que entrou com Ivone foi ao quarto onde estava a secretária eletrônica. Ali, acionaram o equipamento, que não trazia nenhum recado, mas várias chamadas tinham sido interrompidas assim que o sistema de gravação fora iniciado.Para Klinger, não houve nada de estranho ou suspeito no fato de ambos terem ido ao apartamento sem comunicar o fato à polícia. "Ela tinha a chave, e considerava o apartamento parte de seu domicílio. Em nenhum momento, depois do seqüestro, os delegados da Delegacia Anti-Seqüestro (DAS) que acompanhavam o caso fizeram qualquer restrição ou deram qualquer indicação nesse sentido", justificou.Klinger informou que, no início, acreditou que a morte prefeito tinha sido apenas um "crime de oportunidade". "Mas com o desenrolar das investigações, passei a acreditar em crime organizado, mas sem nenhuma conotação política", disse. O secretário depôs na tarde de hoje na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ele disse ao jornalistas que os policiais perguntaram, basicamente, sobre o perfil do prefeito, suas possíveis inimizades políticas, amizades anteriores e atuais."Como eu era amigo do prefeito e um secretário muito próximo a ele, fui convidado para depor na condição de testemunha", disse.ImprensaEle acusou a imprensa de estar se precipitando no julgamento das pessoas próximas de Celso Daniel. "Matérias a meu respeito e que distorcem a minha imagem têm sido veiculadas em vários jornais de São Paulo e Rio de Janeiro. Não é legítimo que a imprensa possa trucidar pessoas sem dar nenhuma chance", queixou-se.Klinger atacou também o que considera um ?excesso de vazamento de informações? da parte da polícia e "as especulações geradas por isso na imprensa". "A polícia tem vazado informações e isso tem sido trabalhado de forma abrupta, sem nenhuma checagem", criticou. "Tratam-se de especulações que só desviam o foco da investigação sobre este crime bárbaro", sustentou.Para ele, todas as supostas irregularidades ventiladas sobre licitações da Prefeitura de Santo André durante a gestão de Celso Daniel e as "supostas insinuações de favorecimento" são histórias que se repetiram com freqüência nas campanhas políticas de Daniel. "Foram exaustivamente investigadas e não há a menor irregularidade em nenhuma delas".Para ele, todas as concorrências e licitações realizadas em sua pasta servem claramente ao interesse público. "Todos os contratos foram realizados por oferecerem preços mais baixos do que o das outras concorrências. Apenas isso".

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