Secretário de Direitos Humanos não quer comparar governos

O secretário Nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, afirma que os dados apresentados pelo relatório sobre direitos humanos feito pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), divulgado na quinta-feira, 15, não permitem concluir sobre avanços, recessos ou retrocessos em relação a outros períodos. ?Não devemos tratar o assunto como uma competição entre governos. Precisamos assimilar os dados, ver os problemas e unir todas as forças para enfrentar o problema.?Vannuchi defende que houve importantes avanços no atual governo, em diversos itens, que acabaram sendo deixados em segundo plano no relatório. Ele cita o exemplo do combate à pobreza nos Estados onde havia grande concentração de miséria. ?A Organização das Nações Unidas também considera a fome um desrespeito aos direitos humanos. Mas não vamos brigar com os números ou com a pesquisa. Cabe usá-la da melhor maneira possível.?Vannuchi afirmou que o avanço nos direitos humanos deve ser uma tarefa compartilhada entre governo federal, Estados, Legislativo, Judiciário e sociedade civil. Segundo o secretário, quando o Legislativo não trabalha, leis importantes deixam de ser aprovadas. Ele também defende a iniciativa do Judiciário para diminuir o combate à impunidade. ?Não adianta apontar apenas um ente como responsável pelos números alarmantes no Brasil. Devemos fortalecer a consciência de que a democracia só se fortalece se encararmos esse desafio?.O relatório apontou, entre outras coisas a superlotação nos presídio da região Sudeste, onde, em São Paulo, entre 2002 e 2005, o número de detentos passou de 106.560 para 138.116. Além disso, a exploração de crianças no Norte foi apontada como uma das maiores no País; no Amazonas, pessoas de todas as idades têm direitos desrespeitados, o Estado é o que registra o maior número de pessoas sem registro: cerca de 41,4% dos nascidos não são registrados.

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