Secretário de Marta defende contratos de lixo

O secretário de Serviços e Obras do município de São Paulo, Jorge Hereda, defendeu os contratos de emergência assinados pela prefeitura no depoimento que prestou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Lixo. "Foi tudo correto", disse. Amanhã, segundo ele, será publicada a prorrogação de três meses desses compromissos.A sessão teve um começo conturbado. O vereador Milton Leite (PMDB) pediu o adiamento do depoimento de Hereda. Sub-relator da comissão, responsável pelos contratos de coleta de lixo firmados na gestão de Marta Suplicy (PT), argumentou não ter como fazer perguntas por não ter lido os documentos enviados à Casa. Ele acusou a secretaria da CPI de não enviar cópias para os parlamentares. "Como é que vou perguntar sobre o que ocorreu há 13 anos, sem ler os contratos?", disse. "Sem ler, eu não sou mágico, não consigo adivinhar."Outro integrante da comissão, vereador Roberto Tripoli (PSDB), reforçou sua queixa. "Estão chegando respostas dos requerimentos e a secretaria não está informando aos vereadores." O pedido de Leite foi feito, segundo ele, no início dos trabalhos da CPI, no fim de agosto. Até agora, ele diz ter recebido apenas "pedaços" dos documentos. O vereador diz não entender a razão dos depoimentos de outros secretários e empresas. "Querem chamar as empresas, para quê?"De acordo com uma das secretárias, Soraia Lúcia Ferreira, o problema é a falta de estrutura da Câmara. "Não temos estrutura para tirar tantas cópias." Os documentos enviados à Casa somam cerca de 140 volumes, e cada um tem quase 300 páginas. "A orientação que temos é copiar o que a assessoria de cada gabinte selecionar."Essa orientação partiu do presidente da CPI, vereador Devanir Ribeiro (PT). Segundo ela, os assessores de cada gabinete teriam de ir à secretaria, examinar os documentos e escolher o que vai ser copiado. De acordo com Devanir, esse acordo foi firmado também na primeira reunião da comissão, e não há razão para as reclamações. "A Casa não estrutura para copiar tudo", disse. "Eu tenho o que preciso porque dois funcionários vão lá selecionar."Na próxima semana será ouvido o depoimento do ex-secretário de Serviços e Obras Walter Rasmussen, responsável pela formalização dos primeiros contratos de emergência. Depois, será a vez de outro ex-secretário da pasta, Reynaldo de Barros, responsável pela secretaria nas gestões de Paulo Maluf e Celso Pitta.

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