Secretário de Segurança de SP está "indignado" com acusações

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, afirmou nesta quarta-feira estar "indignado" com as acusações contidas na carta do preso R.C.C. divulgada na terça-feira pela Seção São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP). "Fui surpreendido com essa carta à qual não tive acesso ainda. A primeira coisa é um sentimento pessoal de indignação. Não posso ter outro. Pessoas de bem sendo acuadas por uma motivação que eu não consigo entender qual é", disse Saulo, numa entrevista coletiva concedida no Departamento de Investigações sobre Narcóticos.O pedido de instauração de inquérito contra o secretário deu entrada no Tribunal de Justiça às 17h06, depois da entrevista concedida por Saulo. Por meio de assessoria, o secretário informou que não vai se pronunciar, pois ainda não foi notificado oficialmente do requerimento. Ele permanece no cargo.Na coletiva, Saulo mostrou revolta com as denúncias e atacou a OAB, mais especificamente o coordenador da Comissão de Direitos Humanos da entidade, João José Sady. Saulo afirmou ter recebido uma carta com elogios à sua transparência e agilidade na apuração dos casos. "Sempre aprendi, ensinei aos meus alunos e sempre me pautei assim: ouvir os dois lados. Essa carta nunca me foi mostrada. Nem um telefonema sequer, nem um fax, nem um ofício", queixou-se.Sady disse que a OAB teve dificuldades em ter acesso à investigação sobre o episódio da Castelinho, quando 12 bandidos foram surpreendidos e mortos pela polícia. O secretário tentou pôr em dúvida as denúncias contidas na carta. "Eu assumi em 22 de janeiro e ouvi pela imprensa que ele teria conversado comigo em janeiro. Eu praticamente estava assumindo a Secretaria da Segurança. Eu lá vou conversar com preso acusado de latrocínio?"Durante a entrevista, Saulo evitou responder a perguntas sobre a atuação do Gradi. Ele se recusou a explicar em que momento soube que o grupo, subordinado diretamente a seu gabinete, infiltrava presos em quadrilhas, supostamente em troca de regalias. "Não te dou essa informação", disse, apesar da insistência de jornalistas que repetiam a pergunta "em nome da transparência".

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