Secretário de Segurança defende prisão do cantor Belo

O secretário de Segurança Pública, Roberto Aguiar, teme que o cantor Marcelo Pires Vieira, o Belo, desapareça durante o processo que apura o envolvimento do pagodeiro com o tráfico de drogas. Um dia depois da divulgação de novos trechos de conversas telefônicas entre Belo e o traficante Valdir Ferreira, o Vado, o secretário defendeu que o artista volte para a prisão. "Não quero avaliar a intimidade entre Belo e Vado. Mas temo que Belo suma durante o processo".No novo trecho divulgado pelo programa Fantástico, no domingo, Belo pergunta pelos filhos de Vado, manifesta a intenção de visitar a Favela do Jacarezinho, reduto do traficante, e manda lembranças para amigos em comum. Em conversas publicadas anteriormente, Vado pedia R$ 11 mil ao cantor para compra de um "tecido fino" (cocaína). Belo pedia em troca um "tênis A.R" (fuzil). A divulgação dos novos trechos das conversas não muda o rumo do processo por associação para o tráfico, em que o pagodeiro é acusado. De acordo com o titular da Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco), Ricardo Hallack, a "amizade íntima" entre Vado e Belo já era conhecida pela polícia, motivou o pedido de prisão preventiva, feito pelo Ministério Público, e decidido pela juíza da 34.ª Vara Criminal, Rute Viana. "Essas conversas já fazem parte do conjunto de provas que embasaram o inquérito policial. Nós sempre soubemos o grau de intimidade entre os dois", afirmou Hallack.Belo está em liberdade por decisão dos desembargadores da 7.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, que concederam habeas-corpus ao cantor em 30 de julho. Na semana passada, a ministra Ellen Gracie Northfleet , do Supremo Tribunal Federal (STF), cassou liminar concedida pelo presidente da corte, ministro Marco Aurélio Mello, e determinou que Belo voltasse para a prisão. Mas a decisão da 7.ª Câmara Criminal ainda beneficia o cantor. Hoje, o artista e a namorada dele, Viviane Araújo, não foram vistos no condomínio em que moram, no Recreio dos Bandeirantes. Os advogados de Belo, Ary Bergher e Raphael Mattos, e o empresário, Cláudio Lisa, foram procurados pelo Estado, mas não retornaram as ligações.

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