Secretário de Segurança do Rio não quer Exército nas ruas

O secretário Estadual de Segurança do Rio de Janeiro, Roberto Aguiar, garantiu hoje que não há intenção de utilizar soldados do Exército nas ruas para ajudar a garantir a segurança da população. O governo fluminense está interessado, segundo ele, na parceria com os militares para promover cursos profissionalizantes e atuar em obras sociais voltadas para crianças e jovens, além de rastrear rotas do tráfico de armas.Da Marinha, o Estado espera reforço na fiscalização da baía da Guanabara, por onde entram armas e drogas. Da Aeronáutica, a identificação de aeroportos clandestinos e destruição dessas pistas, usadas no tráfico.Aguiar acredita que em 15 dias estará em funcionamento a força-tarefa, integrando "dentro da legalidade" as Forças Armadas e as polícias Militar, Civil, Rodoviária e Federal, além da Receita Federal, no combate à criminalidade no Rio."Não haverá comando unificado", disse. Ele quer uma parceria permanente para marcar o início das operações conjuntas.O ministro da Justiça, Miguel Reale Junior, ofereceu ajuda federal ao RJ depois que a Secretaria de Direitos Humanos do RJ sofreu um atentado, no dia 14 - quatro homens jogaram uma granada e dispararam tiros de fuzil contra o prédio, ferindo um segurança. A oferta, de início, foi mal interpretada. A governadora do Rio, Benedita da Silva, reagiu, temendo ser uma intervenção. O governo federal já esclareceu que não pretendia atropelar a governadora e que caberá a cada instituição cumprir suas tarefas.ConvêniosAguiar participou hoje de uma reunião com o secretário nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Cláudio Tucci, a quem entregou os textos de quatro projetos que receberão R$ 18,8 milhões do Fundo Nacional de Segurança Pública.Os convênios para a execução dos projetos serão assinados na quinta-feira entre o ministro e a governadora para treinamento, instrução policial, policiamento comunitário e reaparelhamento da perícia e do Instituto Médico Legal. Aguiar enfatizou que a "análise de um microfragmento tem mais valor do que qualquer pau-de-arara". Além da aplicação da ciência, que inclui testes de DNA, o secretário quer melhorar o treinamento dos policiais.Segundo ele, está ultrapassada a crença de que só mais armas e carros resolvem a criminalidade. Na passagem por Brasília, Aguiar vai negociar com o diretor do Departamento Penitenciário Nacional, Angelo Roncale, a liberação de R$ 54 milhões para a construção de 12 casas de custódia, onde permanecem presos não julgados. Hoje, esses presos estão se amontoando nas delegacias. Segundo o secretário, alguns locais com capacidade para 150 pessoas, chegam a alojar 1.500 presos. O Estado sozinho teria condições de construir apenas três casas de custódia. "Preciso arrumar o dinheiro, porque vidas humanas estão em jogo."

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