Secretário defende comitê pró-Farc em Ribeirão Preto

O secretário de Esportes de Ribeirão Preto, Leopoldo Paulino (PSB), apóia a criação de um comitê, na cidade, de apoio às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A inauguração do comitê será no dia 20, na Câmara, onde ocorreu a primeira reunião de um grupo de cerca de 20 pessoas, em 28 de fevereiro, com a participação de dois vereadores de partidos de esquerda. Se Paulino, um ex-guerrilheiro nos anos 60, defende a guerrilha na Colômbia, os dois vereadores só participarão do comitê se este for de solidariedade ao povo colombiano e aos movimentos de libertação nacional, pois não aprovam as lutas armadas. "Se for pró-Farc, não participo", avisou Beto Cangussú (PT). Paulino afirma que é preciso enfrentar e denunciar a intervenção dos Estados Unidos na Colômbia e até na Amazônia, pois as informações que chegam ao Brasil, sobre as Farc, seriam deturpadas. No país vizinho, ele apóia abertamente a guerrilha. "Na Colômbia, não existe outro jeito, só a luta armada", diz. "No Brasil, que nunca teve tanta liberdade de expressão quanto atualmente, eu seria um louco se propusesse uma guerrilha." Até esta tarde, não havia um nome oficial, que poderá ser Comitê de Solidariedade ao Povo Colombiano e aos Movimentos de Libertação Nacional. Aliás, com base nesse nome é que Cangussú teria interesse em participar do grupo, pois ampliaria as discussões aos povos da América Latina, não só à Colômbia. Como participou parcialmente da primeira reunião (acompanhou nos intervaldos da sessão da Câmara), talvez não tenha entendido a real intenção de Paulino. Um assessor do vereador José Antônio Lages (PDT), que participou da reunião, disse que ele também tem a mesma opinião de Cangussú e não aprova o apoio às Farc. Paulino, no entanto, é radical e firme em suas posições. Tanto que defende o nome de Comitê de Defesa das Farc. Afirma que o grupo é suprapartidário e que aceita todos que lhe dão apoio. Ele já integrou a Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo de luta armada clandestina no Brasil nos anos 60, foi líder estudantil, preso político e ficou quase cinco anos refugiado em cinco países (mais no Chile, onde foi preso na época do golpe de Pinochet). Em 1974, retornou ao Brasil, formou-se em Direito, entrou no MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) e ingressou na política. Paulino foi eleito vereador cinco vezes - afastou-se em 2001 para assumir a Secretaria de Esportes, da qual deverá sair em abril para candidatar-se a deputado estadual. Sobre a experiência de guerrilheiro, escreveu o livro ?Tempo de Resistência? (na quarta edição), que está sendo transformado num documentário de 56 minutos - o filme deverá ficar pronto em maio. Palocci não comentaO prefeito de Ribeirão Preto, Antônio Palocci Filho (PT), que é o coordenador do programa de governo do pré-candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva a presidente, não se manifestou sobre a criação do comitê pró-Farc. Sua assessoria informou que ele não comentaria o assunto, que, de certa forma, causaria um desgaste político com um de seus secretários, além de constrangimento, pois Palocci é um dos que apóiam as alianças do PT com outros partidos mais de centro.O vereador Cangussú, que participou da reunião inicial - uma segunda estava prevista para a noite de hoje - distribuiu nota afirmando que não apóia guerrilhas. "O PT é contra a guerrilha como prática política, pois nasceu para negar esse tipo de comportamento, e é a favor da luta democrática", comentou.A posição do secretário de Esportes, Leopoldo Paulino, de criar mesmo o comitê pró-Farc, também surpreendeu o presidente do Cineclube Cauim, Fernando Kaxassa. Havia a informação de que o comitê usaria uma sala do Templo da Cidadania, um espaço cultural, como sede. "Não existe espaço para isso e nem poderia ter a sede lá", afirmou Kaxassa. O Templo da Cidadania, que abriga um grupo de teatros e outras atividades sociais, é mantido pelo Cauim, além de vários colaboradores-sócios, com diferentes ideologias. No máximo, cede espaço para reuniões esporádicas, como uma de sem-terra.

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