Secretário defende ''sucesso'' da concorrência

Alexandre Schneider voltou a afirmar que preço global do contrato ficou 22% abaixo do de mercado

, O Estadao de S.Paulo

05 Agosto 2009 | 00h00

O secretário municipal da Educação, Alexandre Schneider, voltou ontem a defender a nova licitação para o fornecimento de merenda. "Houve sucesso no quesito concorrência", afirmou. "O preço global do contrato está 22% abaixo do de mercado e 39% menor do que o valor de referência estipulado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe)." Schneider frisou ainda que o novo edital estabelece regras mais rígidas para o controle de qualidade das refeições entregues aos alunos e que o número de autuações aplicadas contra fornecedoras neste ano aumentou. Em nota, a ex-prefeita Marta Suplicy, citada na ação do MPE como beneficiária de propina paga pelas empresas, disse desconhecer o teor do depoimento usado pelos promotores. "Fui prefeita entre 2001 e 2004, pautando o governo pela ética e transparência, tendo todas as contas aprovadas pelo Tribunal de Contas do Município e pela Câmara Municipal", destacou. "Enfrentei uma prefeitura arrasada, escolas sem merenda e consegui encerrar o governo oferecendo não só bolachas e leite, mas refeições completas com legumes, carnes, frutas, feijão e arroz, sobremesa, num cardápio elaborado por nutricionistas". Também em nota, o ex-secretário de Abastecimento na gestão Marta, Valdemir Garreta, disse que a relação com fornecedores se deu "de modo transparente, ético e legal". O vereador Paulo Fiorillo (PT) negou que tenha havido uma "maquiagem" na merenda para convencer outros integrantes da Câmara de que a refeição era de baixa qualidade. Ele disse que os alimentos não foram preparados por cozinheiros da Câmara e somente o restaurante da Casa foi usado para servir as pessoas. "Pagamos uma cozinheira externa para cozinhar exatamente os mesmos alimentos servidos aos alunos. Não tem nada de irregular nisso. A merenda era a mesma." Procurados, o vereador Jooji Hato (PMDB) e a ex-vereadora Claudete Alves (PT) não responderam às ligações. As seis empresas investigadas negam qualquer irregularidade, tanto na licitação quanto na execução dos contratos. AS DENÚNCIAS Qualidade: As primeiras denúncias de irregularidades no fornecimento de merenda terceirizada na rede municipal surgiram na gestão Marta Suplicy (PT). Em 2001, a Ouvidoria abriu procedimento administrativo para apurar queixas de má qualidade das refeições e quantidade inferior à contratada. Após dois meses, as reclamações foram confirmadas Mais queixas: Em 2007, na gestão Serra/Kassab, o Conselho de Alimentação Escolar (CAE) - formado por pais, professores e fiscais - constatou irregularidades em 36% das escolas vistoriadas. Foram detectados problemas na qualidade dos alimentos e desconformidades em relação à infraestrutura das cozinhas Cartel: Em fevereiro deste ano, o Ministério Publico Estadual (MPE) revelou a existência de suposto esquema de cartel (conluio entre empresas) e pagamento de propina a servidores municipais por parte das seis fornecedoras. As empresas negam as acusações e dizem que tudo não passa de disputa comercial entre empresas terceirizadas e fornecedoras de alimentos. Mais indícios levaram o MPE a ampliar a investigação para 13 cidades em que o suposto esquema também funcionaria Novo edital: Pressionada pelo MPE, a Prefeitura anunciou nova concorrência em fevereiro. No dia 29 do mês passado, 4 das 6 empresas investigadas venceram a licitação em 8 dos 14 lotes de fornecimento de merenda. A 5.ª Vara da Fazenda Pública da capital, no entanto, suspendeu a homologação das vencedoras no dia 23, a pedido de uma das concorrentes

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.