Secretário demite presidente da Febem

O secretário da Educação de São Paulo, Gabriel Chalita, demitiu hoje a presidente da Febem, Maria Luisa Granado. O ato não foi ainda oficializado e, segundo Chalita, ela ficará no cargo por mais alguns dias, até o anúncio do novo nome. "Estamos conversando sobre o perfil do próximo presidente da Febem, pode ser um promotor ou um educador, ainda não está definido", disse Chalita.A demissão de Maria Luisa deve ter sido o primeiro ato de Chalita, um dos secretários mantidos na pasta, e empossado hoje, junto com a nova equipe. A Febem, antes um órgão da Secretaria da Juventude, foi transferida para a Educação. Maria Luisa assumiu o cargo há cerca de um ano, com a saída do então presidente da entidade, Saulo de Castro, que assumiu a Secretaria da Segurança Pública."É como o governador Alckmin costuma dizer: é tudo uma corrida de revezamento, ela cumpriu uma etapa e agora passa o bastão para outro", disse Chalita. Ele elogiou o trabalho de descentralização, com a construção de unidades menores no Interior, desenvolvido na gestão de Maria Luisa, mas ressaltou que o momento agora é outro. "A segunda etapa é a de união da sociedade para a recuperação do jovem."Segundo Chalita, a Febem precisa perder o estigma de "punição". "O jovem vai para a Febem para ser recuperado para a sociedade, e a Febem não pode estar com as portas fechadas ao diálogo com a comunidade. Queremos mostrar essa possibilidade à sociedade", disse Chalita. TorturaAo assumir a presidência da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), há um ano, um dos compromissos assumidos por Maria Luiza Granado era desativar megaunidades, como a de Franco da Rocha. Isso não ocorreu e o local segue acumulando denúncias de tortura e outros problemas, evidenciados na rebelião de março de 2001, que deixou um funcionário morto e dezenas de menores feridos.No dia 18 de outubro, a Justiça determinou o fechamento definitivo, em até 90 dias, de Franco da Rocha, mas os processos contra o complexo são apenas parte das seis ações criminais por tortura e mais de duas centenas de procedimentos abertos pelo Ministério Público e inquéritos policiais que envolvem a Febem desde outubro de 1999, quando ocorreu a pior rebelião da história, no Complexo Imigrantes. O motim terminou com quatro adolescentes mortos e cenas como a de um interno atirando a cabeça de outro pelo muro.Na época, o governador Mário Covas assumiu o compromisso de mudar a instituição. Criou o Projeto Novo Olhar, que não surtiu o efeito esperado pela sociedade. A unidade de Parelheiros, outro foco de denúncias, só foi desativada em julho um ano depois do prazo. Para entidades pró-direitos humanos nem sequer a trégua nas grandes rebeliões nos últimos meses é motivo de otimismo, pois há indícios de que os velhos problemas de tortura e falta de programas efetivos de ressocialização continuam.

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