Secretário é preso ao chegar ao gabinete

A Polícia Civil de São Paulo prendeu ontem de manhã o secretário de Habitação de Jandira (SP), Wanderlei Lemes Aquino, suspeito de envolvimento no assassinato do prefeito da cidade, Braz Paschoalin (PSDB), alvejado com tiros de grosso calibre por um grupo de pistoleiros. O crime ocorreu às 7h55 do dia 10. Aquino foi preso em seu gabinete, quando chegava.

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

O mandado foi expedido pela Justiça com base em um processo por apropriação indébita que corria desde 1999. Mesmo assim, ele assumiu o cargo em Jandira. Apesar de a prisão ter relação com o caso de 1999, a polícia também pretende ouvi-lo sobre o assassinato de Paschoalin.

O rastreamento das chamadas dos celulares de quatro presos, suspeitos da execução, revela que eles fizeram contatos com pessoas muito próximas de Aquino e com seus assessores. Horas antes do assassinato e logo após o crime, eles ligaram também para a Secretaria de Habitação. À polícia, algumas testemunhas teriam relatado ter visto Aquino intimidando funcionários da prefeitura e até familiares do prefeito morto. Em certa ocasião, teria dito: "Quem manda na cidade sou eu." Aquino teria feito ameaças ao genro de Paschoalin e também à prefeita Anabel Sabatine (PSDB).

Depois de prenderem o secretário, policiais fizeram uma devassa em seu gabinete. Eles coletaram computadores e papéis. Aquino teria destruído documentos. Ele passou a tarde no Setor de Homicídios da Seccional de Carapicuíba, em Santana de Parnaíba. Em seguida, foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal de Osasco.

Seu defensor, William Ruedas, disse que a prisão é "reflexo do clima de beligerância que domina Jandira". Ele nega que a prisão de Aquino tenha relação com o assassinato do prefeito.

Mensalinho. A polícia investiga um suposto esquema de corrupção e mensalinho na gestão de Paschoalin, com base em diálogos gravados em CD pelo vereador Zezinho do PT, em 1.º de julho de 2008.

O interlocutor do petista, vereador Waldemiro Moreira de Oliveira, o Mineiro, do PDT, revela como vendeu seu voto por R$ 200 mil para apoiar o prefeito e aprovar sua prestação de contas referente ao mandato de 1996 a 2000. Mineiro foi morto em julho por desconhecidos.

Paschoalin, que conseguiu que suas contas fossem aprovadas, negou o mensalinho em depoimento de 2009.

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