Secretário fiscalizou pessoalmente a boate

No dia 7 de março, às 17h50, o secretário da Habitação, Orlando de Almeida Filho, foi sozinho averiguar as irregularidades no prédio que abrigava a W.E., na Rua Peixoto Gomide. A visita ficou documentada pelas escutas da PF. No começo, os acusados desconfiaram de Almeida Filho. Pensaram que se tratava de um fiscal "querendo algum", como disse o coronel Wilson de Barros Consani Junior ao gerente financeiro da W.E., Celso de Jesus Murad. Este reclamou com o coronel que o tal fiscal não queria mostrar sua carteira funcional e dizia que podia pedir os documentos sobre o prédio quando bem entendesse. "Ele (o fiscal) é meio encardido", desabafa Murad .Às 17h58, o gerente conta ao coronel que o "fiscal está no telefone falando com não sei quem pedindo para mandar a fiscalização". Quase uma hora depois, o engano é desfeito. Às 18h47, o secretário usa o telefone de Murad para conversar com seu amigo, o construtor Felício Makhoul, dono do prédio onde funcionava a W.E.. Almeida Filho diz que vai verificar os problemas do prédio para que o dono possa regularizá-lo. "A única coisa que te peço é que faça exatamente de acordo com a lei", diz. Quatro dias depois, Consani diz a Murad que será preciso fazer "uma ação política forte" para resolver o problema.A assessoria do secretário informou que Almeida Filho costuma fazer esse tipo de blitz. Segundo a Prefeitura, havia contra a W.E. e o imóvel que a abrigava quatro processos sobre irregularidades, todos sob os cuidados da Subprefeitura da Sé. No dia de sua visita ao imóvel, Almeida Filho chamou fiscais da Sé, que se encarregaram do caso.

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