Secretário fluminense nega ter pedido trégua para o tráfico

O secretário estadual de Esportes, Francisco de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, voltou a negar nesta terça-feira, em depoimento à Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), ter pedido à Polícia Militar para dar uma trégua na repressão ao tráfico de drogas no Morro da Mangueira, na zona norte do Rio. O fato foi relatado pelo ex-comandante do 4º BPM tenente-coronel Erir Ribeiro da Costa Filho em documento reservado enviado ao comando da PM. Também foi ouvido nesta terça-feira o presidente da Associação de Moradores da Mangueira, Anderson Monteiro, que confirma o relato de Chiquinho. Duas semanas após o teor do ofício ter se tornado público, o caso permanece limitado à contestação de versões. Durante quase duas horas e meia de depoimento, Chiquinho garantiu ter solicitado, a pedido da comunidade e de diretores de escolas da região, que o policiamento na área fosse repensado para não pôr em risco a vida de estudantes no horário de entrada e saída das aulas. O secretário não apresentou dados de vítimas de balas perdidas em operações policiais no morro e justificou ter agido de forma preventiva. ?As incursões estavam freqüentes e a comunidade estava me cobrando. Pedi que o policiamento fosse mais bem planejado. Fiz isso por uma questão de prevenção.? Mas admitiu que pode ter errado ao procurar o então comandante do 4º BPM e não uma instância superior para apresentar a solicitação. Chiquinho se disse ?magoado? com a atitude de Costa Filho, que, segundo ele, pode ter ?interpretado mal? o seu pedido. Mas afirmou ter ficado mais ?incomodado? com o relato dos agentes penitenciários Evandro de Oliveira Machado e Odney Fernando da Silva. De acordo com os dois, entre 1997 e 1999, o secretário teria feito várias visitas em Bangu 3 a Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, e Alexander Mendes da Silva, o Polegar, condenados por chefiar o tráfico no Morro da Mangueira. De acordo com a denúncia, ele teria mantido conversas íntimas e até abraçado os traficantes. Chiquinho afirmou ter ido ao local quatro vezes, entre 1998 e 1999, para apoiar um programa de ocupação de presos por meio de atividades esportivas. ?Não fui lá não para visitar alguém em particular. Não houve contato reservado nenhum.? E voltou a dizer que em uma das visitas feitas a Bangu 3 foi acompanhado pelo então secretário nacional de Esportes, Lars Grael, que já negou a informação. ?Ele não se recorda, mas ele foi?, garantiu, acrescentando que a melhor pessoa para esclarecer o motivo de suas idas ao presídio é o então diretor da unidade, Lafaiete Barzotelli Fragoso. ?Ele insistentemente me mandava ofícios pedindo que eu fosse lá para desenvolver projetos de ocupação dos presos?, afirmou Chiquinho, que na época era subsecretário de Esportes. Fragoso vai ser ouvido pela Comissão de Segurança da Alerj, que nesta terça-feira aprovou também o requerimento de convocação de Grael e dos dois agentes penitenciários. Na sexta-feira, vão depor o comandante-geral da PM, Renato Hottz, e o então secretário de Segurança Pública, Josias Quintal, e, no dia 11, o atual titular da pasta, o ex-governador Anthony Garotinho.

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