Secretário inicia reforma da Polícia Civil

A má administração de delegados titulares de distritos, de alguns seccionais e diretores de departamentos - com o abandono dos prédios policiais, falta de material para o registro das ocorrências, falta de acomodações para as vítimas nos plantões e a fraca atuação no combate ao crime - levou o secretário da Segurança, Saulo Abreu, a iniciar nesta quarta-feira uma ampla mudança na Polícia Civil.Abreu trocou os diretores dos Departamentos de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), e os titulares de dez seccionais - seis da capital e quatro da Grande São Paulo.O secretário vai continuar à frente da Segurança Pública no segundo mandato do governador Geraldo Alckmin e promete mais mudanças na cúpula da Polícia Civil e no segundo escalão. Ele deve manter Marco Antonio Desgualdo na Delegacia-Geral de Polícia, Ivaney Cayres de Souza no Departamento de Narcóticos, Godofredo Bittencourt no Departamento de Combate ao Crime Organizado (Deic) e Domingos Paulo Neto no Departamento de Homicídios (DHPP).Abreu, que estuda a volta do Departamento de Polícia do Consumidor (Decon), extinto pelo ex-secretário Marco Vinicio Petrelluzzi, não quis falar sobre as mudanças. Determinou que o secretário-adjunto, Marcelo Martins, desse as informações.Martins culpou os delegados pelo "mau gerenciamento" das delegacias. Disse que a administração trocará o número de delegados que achar necessário para que aprendam a gerenciar melhor. Ele afirmou que não falta material para as delegacias e explicou ser obrigação do delegado atender bem as pessoas que procuram os plantões.Os delegados, entretanto, reclamam da falta de dinheiro para investigações, pequenas reformas, falta de computadores e renovação dos armários, mesas e cadeiras. "Todo pedido é atendido. Se não pedem, como vamos atender?", disse o secretário-adjunto.O presidente da Associação dos Delegados de Polícia, Carlos Eduardo Benito Jorge, afirmou que o delegado é, como a sociedade, vítima da situação precária de muitos distritos policiais. "A falta de funcionários, de equipamentos e as cadeias superlotadas impedem que a população seja atendida como deveria."Segundo Jorge, a situação vem se deteriorando nos últimos anos e apenas alguns distritos são beneficiados com mais funcionários, carros e equipamentos. "É comum nos plantões longas esperas, por falta de gente para atender. A triste realidade é que os boletins de ocorrências são lavrados, mas não existe continuidade no trabalho."Ele acha que não é função da Polícia Civil cuidar de presos. "Sua missão constitucional é investigar, esclarecer crimes e prender os autores. Não é admissível que se responsabilize o delegado pela falta de meios."O Demacro, que cuida das delegacias da Grande São Paulo, será chefiado por Nelson Silveira Guimarães, que estava na Seccional de Itaquera. O Decap, um dos mais importantes departamentos da Polícia Civil, com a demissão de Gerson de Carvalho, será chefiado por Antonio Chaves Martins Fontes, que estava no Demacro.Para as seccionais foram indicados Naief Saad Neto (norte), Mário Jordão (centro), Dejar Gomes Neto (oeste), Alexandre Sayão (Itaquera), Reinaldo Correia (Santo Amaro), Luís Carlos do Carmo (São Mateus), José Carlos Carrasco (Taboão da Serra), Darci Sassi (Diadema), George Henry Millard (Santo André) e Marco Antonio Novaes de Paula Santos (São Bernardo do Campo).

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.