Secretário não quer intervir em empresas de ônibus

O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, garantiu que a São Paulo Transporte (SPTrans) não vai intervir nas duas empresas que estão em greve e pagar salários atrasados. "A paralisação pode ser uma estratégia dos empresários para forçar a Prefeitura a assumir a operação e sanear a empresa", justificou.Na reunião com Tatto, o sindicato dos condutores pediu a intervenção. O antecessor do secretário, Carlos Zarattini, interveio, em setembro, em empresas do Grupo Niquini, também por atrasos de salários. "É justo e necessário que a SPTrans intervenha", defendeu o presidente do sindicato, Edivaldo Santiago.A Secretaria Municipal dos Transportes informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que será revelado nesta quinta-feira - durante o depoimento de Zarattini ao Ministério Público Estadual (MPE) - quanto já foi devolvido aos cofres públicos do total de R$ 1,044 milhão emprestado pela secretaria para as quatro empresas de ônibus que estavam com dificuldades de saldar salários dos funcionários.Nesta quarta-feira, será a vez de o empresário petista Willian Ali Chaim, autor de denúncias contra a secretaria, ser ouvido pelos promotores. De acordo com a assessoria, os advogados da autarquia e do ex-secretário pediram que o valor - um dos motivos da queda de Zarattini - não fosse divulgado antes para não atrapalhar as investigações.Em depoimento na Comissão de Transportes da Câmara Municipal, Chaim disse que a Viação Santa Bárbara recebeu R$ 265 mil e a Viação Cidade Tiradentes mais R$ 400 mil para pagar salários atrasados dos funcionários das Viações Ibirapuera e Santo Amaro. Na época, essas duas empresas estavam sendo compradas pelo grupo do empresário Romero Teixeira Niquini, mas só poderiam ser vendidas se os salários dos funcionários estivessem em dia.Em sua primeira explicação, Zarattini disse que foram R$ 665 mil para duas empresas (Santa Bárbara e Viação Cidade Tiradentes), provenientes de multas. Na segunda explicação, reconhecendo o erro da nota oficial, disse que repassou R$ 1,044 milhão - e não R$ 665 mil - para quatro viações - não duas. Ele disse que as quatro empresas estavam enfrentando problemas por falta de pagamento e o repasse foi baseado num decreto municipal.O Ministério Público instaurou inquérito civil contra Zarattini e a secretaria, para investigar o repasse da verba. Antes de pedir demissão, Zarattini afirmava que o dinheiro estava sendo devolvido para os cofres da SPTrans, mas não informou qual o valor.

Agencia Estado,

26 de novembro de 2002 | 22h58

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