NATINHO RODRIGUES / DIARIO DO NORDESTE
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Secretário nega recuo do governo em envio de tropas ao Ceará

"O reforço ao Ceará foi definido em tempo recorde', afirmou o general da reserva Guilherme Theophilo, secretário Nacional de Segurança Pública

Breno Pires, Felipe Frazão e Julia Lindner, O Estado de S. Paulo

04 de janeiro de 2019 | 15h50

BRASÍLIA - O novo secretário Nacional de Segurança Pública (Senasp), general Guilherme Theophilo, afirmou que não houve recuo na decisão de envio de tropas da Força Nacional para o Ceará em meio a uma onda de ataques de facções criminosas. Ele disse que reforço foi definido "em tempo recorde" e que não houve motivação política. 

De acordo com ele, ao menos 100 homens devem desembarcar em Fortaleza até o fim do dia. O efetivo completo estará à disposição para atuar no Ceará neste sábado. O comando será feito pelas autoridades locais.

 

A decisão de envio de 300 homens da Força Nacional ao Ceará foi informada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública no fim da manhã desta sexta-feira, 4, depois de uma reunião entre o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da pasta, Sérgio Moro, e os ministros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), General Heleno, e da Defesa, Fernando Azevedo e Silva. 

O governador Camilo Santana, do Partido dos Trabalhadores (PT), pediu o envio imediato, mas o ministério não havia decidido a enviar tropas até a noite da quinta-feira, embora tenha anunciado que deixaria tropas em prontidão. Segundo Theophilo, a decisão só veio depois porque ainda estavam sendo feitos estudos sobre o tema. "Recebemos o pedido às 18 horas de ontem e estamos atendendo ao pedido com menos de 24 horas, não houve retardo, mas planejamento", disse o chefe da Senasp.

"Isso é um trabalho de inteligência e nós temos que não desperdiçar o emprego da tropa. Tivemos trabalho de acompanhamento de toda a situação desde o surgimento até o dia de hoje. Estou com 24 policiais civis da Força Nacional fazendo investigações no Ceará desde a morte de Gegê do Mangue. Estamos olhando de perto, não houve recuo nem demora (na decisão de enviar o reforço). O estudo indicou que devemos entregar. Foi necessário certificar que era preciso enviar os 300 homens e 30 viaturas", disse Theophilo.

Ataques

Até ontem à noite, pelo menos 16 veículos foram incendiados, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social cearense e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros. Segundo o governador Camilo Santana, até a manhã desta sexta-feira, as autoridades locais prenderam 45 pessoas por envolvimento em atos criminosos ocorridos em nosso Estado. 

Sobre os ataques das últimas 48 horas, Theophilo disse que as ordens vêm de dentro dos presídios. O contexto no Ceará, segundo ele, é de disputa entre facções criminosas. "No Ceará temos Comando Vermelho, PCC, Família do Norte, GDE (Guardiões do Estado), entre outros, há disputa de território, por isso o número de homicídios está tão grande", disse, falando do quadro geral.

Ele também falou que é preciso enfrentar as facções alojadas nos presídios, citando por exemploa a necessidade de cortar as comunicações. "Muitas vezes o celular que entra tem conivência da autoridade penitenciária. Temos dificuldade séria de acompanhar. De dentro para fora estamos nos preocupando, agora, temos de atuar de fora para dentro também", disse.

Uma das possibilidades levantadas para os ataques é a reação de facções a declarações do novo secretário estadual de administração prisional. Theophilo não confirmou se esse era o motivo, mas disse que, embora qualquer posicionamento mais forte possa gerar represália, "isso não pode nos impedir de fazer declarações". Ele ainda elogiou o novo comandante da segurança no Ceará.

Pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro comentou o envio das tropas ao Ceará e elogiou a medida. 

"A questão do Ceará, pelo que tudo indica, agravou a situação. Desde ontem à noite, conversando com o ministro Sérgio Moro, tratando desse assunto, ele foi muito hábil, rápido e eficaz para atender ao Estado, cujo governador reeleito é uma posição radical à nossa. Nós jamais faremos oposição ao povo de qualquer Estado. E o povo do Ceará precisa nesse momento. As medidas já foram tomadas. Faltava por parte do governo do Ceará se enquadrar, e via ofício informar, da real necessidade da presença da força pela sua incapacidade de resolver o problema", disse Bolsonaro.

Theophilo negou que tenha pesado na decisão o cenário político no Estado, em que o governador Camilo Santana (PT) é de um partido de oposição a Bolsonaro. Ele disse que, inclusive, é amigo do secretário estadual de Segurança. Sobre o fato de ter sido candidato ao governo do Estado pelo PSDB em outubro, disse que ser político nunca foi uma vontade sua e ele concorreu apenas a pedido do senador Tasso Jereissati.

Segundo o secretário da Senasp, a longo prazo, a intenção é utilizar menos tropas nos Estados e fortalecer a atuação dos órgãos locais de segurança. Atualmente a Força Nacional atua em 23 Estados da Federação. "Tentaremos fortalecer o uso das forças estaduais para reduzir o uso da Força Nacional. A ideia é não empregar as Forças Armadas de forma prematura. A ideia é que a Força Nacional aumente e seja um amortecedor entre a segurança pública estadual e as Forças Armadas", disse Theophilo.

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