Secretário paulista promete integração com Garotinho

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro, disse hoje acreditar em uma trabalho integrado com o novo secretário de Segurança do Rio, Anthony Garotinho, no combate ao crime organizado. "Com o (ex-) secretário Josias (Quintal) havia um bom trabalho conjunto, menos do que nós dois gostaríamos, mas havia uma relação, uma integração boa", disse. "Acredito que com o ex-governador será a mesma coisa."Castro não acredita que a troca de secretários no Rio tenha sido uma estratégia para evitar a ameaça de intervenção federal no Estado. Segundo ele, não existe na Constituição a categoria de "interventores". "Aqui, em São Paulo, por exemplo, a PF tem cerca de 700 homens, 200 operacionais. Nós temos 93 companhias da PM, só na capital e a mais chinfrim tem mais de 200 homens. Esse é um dado da realidade." Cobrando o governo federalO secretário voltou a cobrar a liberação de R$ 335 milhões do governo federal, relativos a convênios já assinados. "Eu não estou conseguindo entender o porquê da demora. Estou cobrando diariamente no ministro, do secretário, telefonando, enviando fax, e-mail", disse. "O governo federal está fazendo caixa, criando um superávit com esse dinheiro ao invés de repassar aos Estados recursos que são deles".Ele defendeu a "despolitização" da questão da segurança. "Vamos discutir sobre projetos não sobre de que partidos é, ou se a polícia precisa, ou se São Paulo é um estado rico", disse. "Isso é balela, é conversa mole, para enrolar e não dar o dinheiro. São Paulo tem um bom projeto de segurança pública? Eu imagino que sim".O secretário disse que apóia a proposta do governo federal do Sistema Único de Segurança. "Nós estamos dispostos a assinar a hora em que o governo federal quiser, é só mandar a papelada", afirmou. "Já temos tudo o que foi proposto: integração das polícias, ouvidoria independente, curso superior de polícia integrados, investimento na polícia científica mas, se precisar corrigir, alterar algo, também estamos dispostos." Corrupção na políciaO secretário de Segurança Pública de São Paulo disse que pretende colaborar com a Polícia Federal na investigação de policiais corruptos. "Não comento nada de caso que está em andamento, mas há um trabalho conjunto", afirmou. A ação da PF investiga casos de escolta ilegal de caminhões com carga contrabandeada e remessa ilegal de dinheiro para o exterior praticadas por policias do Departamento de Investigações Criminais (Deic) e do Departamento de Narcóticos (Denarc).A operação que está sendo preparada pela PF já conta com mandados de busca e pedidos de prisão provisórias para os policiais civis investigados. "Temos o maior interesse em depurar as polícias civil e militar, em descobrir quem sai da linha e trabalhamos em parceria com os federais até porque a estrutura deles é pequena", disse Castro. "Mas é uma via de duas mãos".

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