Secretário quer "ação objetiva" para recolher perueiros

Se a prefeitura de São Paulo tiver ?uma estratégia de ação objetiva? e agir ?com eficiência e sem corrupção?, poderá recolher os 2500 perueiros que agem clandestinamente na cidade utilizando apenas os contingentes de policiais militares que já estão à disposição do município. A avaliação é do secretário de Segurança Pública do Estado, Saulo de Castro."Sessenta e oito policiais militares estão permanentemente à disposição da São Paulo Transportes (SPTrans) e outros 60 à disposição da prefeita (Marta Suplicy) para a segurança do prédio da prefeitura", contabilizou Castro. "Além disso, a Guarda Municipal tem um contingente de 5 mil homens e parte dele pode ser utilizado nas operações contra os perueiros clandestinos."Castro disse que, com o remanejamento destas guarnições, a prefeitura poderia ter à disposição uma tropa de até 130 homens - "mais do que suficiente", avaliou - para dar proteção aos fiscais da SPTrans numa grande operação de apreensão das peruas clandestinas.Esta proposta do secretário, segundo ele, foi apresentada hoje pela manhã ao chefe de Gabinete da SPTrans, Luiz Silveira Rangel. Rangel pediu ao secretário apoio policial para desencadear uma grande operação de recolhimento de peruas clandestinas. A proteção policial seria indispensável, de acordo com Rangel, por causa da violência cometida pelos perueiros clandestinos contra os fiscais da prefeitura, que resultou na morte de três fiscais neste último final de semana.O secretário disse que o tempo estimado de duração da operação é de 60 dias. "Não podemos deslocar novos contingentes de policiais para a prefeitura por este período, mas nada impede que tropas de elite possam ser deslocadas para auxiliar a SPTrans em situações especiais, quando a ação tiver que ocorrer em um local muito violento", argumentou.Para Castro, a prefeitura ainda não apresentou para a Secretaria uma "estratégia planejada" de ação. "Tudo foi muito empírico, por isso apresentamos esta sugestão de remanejamento dos contingentes", disse ele. "Mas nada impede que outros planos possam surgir."O secretário afirmou que não "vê dificuldades" em montar uma operação para o recolhimento de 2500 peruas em 60 dias. "Mas é preciso que a prefeitura tenha um pátio para deixá-las e que não haja corrupção, com peruas sendo apreendidas e soltas em seguida", disse ele.A entrevista coletiva convocada por Castro foi uma resposta velada às críticas que a Secretaria tem recebido nos últimos dias. Logo após a morte dos fiscais, o presidente do Sindicato dos Empregados em Fiscalização, Luís de Oliveira Campos, reivindicou a presença de policiais militares nas ações de fiscalização. O gerente geral da SPTrans, Clóvis Granado, acusou o secretário da Segurança Pública de omissão. "Eles falam que é um problema de transporte, não admitem que estamos tratando com o crime organizado", disse.O chefe de Gabinete da São Paulo Transportes (SPTrans), Luiz Silveira Rangel, afirmou que a proposta "é irresponsável e sem seriedade". "A impressão que temos é que o secretário não está querendo combater o crime organizado", disse Rangel. "Temos certeza que ele fez a proposta sem consultar o governador Geraldo Alckmin (PSDB).""Porque ele não sugere tirar alguns dos 450 policiais que fazem a segurança do governador?", perguntou. "Ele sabe que não existe isso e está agindo sem reflexão. Além disso, a Guarda Municipal tem um contingente de 5 mil homens e parte dele pode ser utilizado nas operações contra os perueiros clandestinos."

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