Secretário terá de explicar legalização de "bico" para policiais

O presidente da Comissão de Combate à Violência e à Impunidade da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, deputado Carlos Minc (PT), marcou para quinta-feira uma audiência pública na Casa com o secretário de Segurança Pública do RJ, coronel Josias Quintal. O deputado quer que o secretário explique o projeto no qual pretende legalizar o segundo emprego para policiais civis, militares e bombeiros.A oficialização do "bico" é reprovada pelo deputado, mas ele pondera que não há outra solução para o caso a menos que o governo do Estado decida tirar do papel um projeto de sua autoria que cria um plano de cargos e salários para policiais."Eu sou radicalmente contra o ´bico´, mas na atual condição de arrocho salarial em que vivem os policiais, infelizmente, não há outra alternativa", disse. A bandeira do segundo emprego, levantada por Quintal, coincide com a vontade de Minc de voltar a discutir o assunto na Assembléia. O deputado foi o responsável pelo arquivamento da Lei do Bico, que entrou em vigor 18 de janeiro de 1994, durante o governo Nilo Batista.O petista alega que o projeto do então governador não agradava aos policiais, que só podiam ter um segundo emprego na área de segurança e se recebessem autorização do comandante do batalhão, no caso da Polícia Militar, ou do delegado a quem estivesse subordinado. "Muitos policiais acabavam sendo obrigados a só trabalhar para empresas de segurança clandestinas, comandadas por seus superiores", explicou Minc.Pelo projeto de Quintal, que terá de passar ainda pela apreciação da Assembléia, a intenção é de que o policial possa contar com a proteção do Estado mesmo trabalhando fora do batalhão ou do órgão onde estiver lotado. O objetivo é amparar a família se o policial sofrer alguma lesão ou morrer durante o serviço extra. Segundo Minc, que aprova a proposta de amparo, 70% dos policiais morrem enquanto estão fazendo "bico".CríticasTanto o presidente do Sindicato dos Vigilantes do Rio, Fernando Bandeira, quanto o coordenador do Núcleo de Defesa dos Policiais Civis, Cláudio Cruz, criticam a volta do "bico". "O Estado está querendo privatizar a polícia", afirmou Bandeira, que além, de sindicalista é policial civil e instrutor de uma firma de segurança particular há 26 anos."Veja, não sou contra o segundo emprego, mas o que o governo está querendo fazer é tomar o lugar daqueles que exploram os policiais clandestinamente. Se é para oficializar o ´bico´, que faça dentro das regras do jogo, obedecendo as leis trabalhistas", contestou o sindicalista. Assim como Bandeira, Cláudio Cruz também não vê com bons olhos a proposta de Quintal. "Em vez de oficializar o ´bico´, porque eles não melhoram a remuneração dos policiais?", questionou Cruz, que, assim como Bandeira, também é policial e funcionário de empresa de segurança.

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