Secretário tinha conhecimento de plano dos narcotraficantes

A Secretaria de Estado da Segurança Pública tinha conhecimento desde o dia 16 de setembro de que traficantes do Comando Vermelho presos em Bangu 1 planejavam fechar o comércio na zona sul do Rio para espalhar o terror entre a população.?Vai ter situação aí que você vai ficar ligado, que todas as firmas vão fechar, para mandar parar tudo. Dar blecaute na zona sul, tem que parar tudo, comércio geral, parar tudo?, afirmou o traficante Marco Antônio Tavares, o Marquinho Niterói, no dia 15 de setembro, de dentro do presídio, em telefonema interceptado pelo Ministério Público com autorização judicial.A ação seria uma represália ao endurecimento do regime prisional do grupo do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, transferido no dia 13 de setembro para o Batalhão de Choque da PM. A medida foi adotada pelo governo do Estado depois da rebelião do dia 11 de setembro, em Bangu 1, que durou 23 horas e resultou no assassinato de quatro traficantes, entre eles Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê.Em uma das conversas, Marquinho Niterói diz que haverá um ?protesto? do tráfico porque seus comparsas foram ?jogados no calabouço?, em referência ao Batalhão de Choque. ?Pedimos uma atenção e jogaram os amigos lá no calabouço. Agora vamos fazer um outro protesto para mostrar para eles que a gente tem a força, que eles não têm não?, diz o criminoso.Beira-Mar, Marco Marim dos Santos, o Chapolim, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, Marco Antônio Firmino da Silva, o My Thor, e Márcio da Silva Macedo, o Márcio Gigante, participaram da rebelião e continuam presos no batalhão, para onde Marquinho Niterói foi transferido no dia 17.O governo soube do plano dos traficantes de parar a cidade depois que o MP enviou cópias de gravações telefônicas, no dia 16. O secretário de Estado da Segurança Pública, Roberto Aguiar, que na segunda-feira, dia do fechamento do comércio, não citou as fitas, nesta terça-feira, em entrevista coletiva, admitiu ter conhecimento das conversas do traficante.?Não dizem nem onde, nem data nem local (a gravação). Aí nós ficamos com os dispositivos todos prontos.? Segundo ele, a polícia continua investigando todas as hipóteses sobre o episódio de segunda-feira. ?Pode ser do tráfico, pode ser uma alucinação de pessoas sem nenhum tipo de compromisso social ou político. É equiprovável, são todas as hipóteses que nós temos que trabalhar. Isso é uma obrigação da investigação.?O procurador-geral de Justiça do Estado, José Muiños Piñeiro Filho, divulgou nota nesta terça à noite, afirmando que, ao tomar conhecimento das gravações, determinou que elas fossem entregues ao Secretário de Segurança. Segundo ele, só não tornou público o conteúdo das fitas ?para evitar o pânico social e dar tempo ao sistema de segurança estatal de se preparar para o enfrentamento da questão.?

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