Seguem buscas à segunda caixa-preta do voo 447 da Air France

No equipamento, o cockpit voice recorder (CVR ), estão armazenados os diálogos dos pilotos que comandavam a aeronave no momento do acidente

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2011 | 15h45

PARIS - Equipes francesas prosseguiram neste domingo, 1º, no Atlântico, com as buscas à segunda caixa-preta do voo AF-447, o cockpit voice recorder (CVR), cujo conteúdo é considerado "essencial" pelo Escritório de Investigações e Análises da Aviação Civil (BEA), o órgão responsável por apurar as causas do acidente. Um dia depois de localizar a primeira das caixas-pretas, o Flight Data Recorder (FDR), com dados eletrônicos do voo, os investigadores vasculham o local do acidente em busca dos diálogos travados pela tripulação, que podem esclarecer as reações dos pilotos antes do crash.

 

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Até a noite de ontem, segundo indicou ao Estado a porta-voz do BEA, Martine Del Bono, não havia nenhuma pista da segunda caixa-preta. De acordo com o diretor do escritório, Jean-Paul Troadec, os dados do CVR são complementares aos do FDR em uma investigação sobre as causas de um acidente aéreo. "Sem os dados do sistema CVR, nos faltariam informações essenciais: a maneira como os pilotos reagiram, as razões de terem tomado tal decisão frente à urgência", citou Troadec.

 

Ontem, o diretor voltou a afirmar que o aparentemente o gravador localizado não sofreu danos, mas que ainda não se sabe se as informações foram preservadas. "O estado exterior da caixa parece estar bom. No interior, nós não sabemos", ponderou. "A certificação do FDR não garante que ele resista tanto tempo embaixo d'água, mas nossos experts acreditam que existam chances de que possamos explorá-la, desde que não tenha havido corrosão." O que determinará se os dados poderão ou não ser recuperados é o estado do microchip que fica no interior da estrutura metálica. É nele que ficam armazenados os dados de um voo.

 

Os experts do BEA aguardam agora a transferência da primeira caixa-preta, que deve chegar a Paris dentro de oito a 10 dias - previsão que pode variar de acordo com as condições meteorológicas no Atlântico. Ainda no domingo, o gravador localizado foi lacrado em uma caixa pela Justiça da França, cujos representantes estão a bordo do navio Ile de Sein. No lado externo da caixa, um selo foi colado sobre uma etiqueta na qual se lê a expressão "Homicídio involuntário", uma referência ao processo que corre em Paris, no qual a Air France, companhia a qual pertencia o aparelho, e a Airbus, fabricante da aeronave, são rés.

Sobre o processo, Jean-Claude Guidicelli, advogado de algumas das famílias francesas que estavam entre as 228 vítimas do desastre, se disse cético ao comentar a recuperação da primeira das caixas-pretas. "Trata-se de uma operação de marketing para permitir à Air France e à Airbus ocultar uma responsabilidade evidente", denunciou o advogado.

 

Corpos. Enquanto a investigação técnica avança, com a descoberta do FDR, a busca pelos corpos das vítimas ainda não começou, segundo confirmou Martine Del Bono. "Como somos um escritório de investigação, nossa prioridade é a repescagem dos gravadores, porque precisamos esclarecer as circunstâncias do acidente", justificou. "A operação de resgate dos corpos não começou. Serão os oficiais de Justiça que decidirão sobre o início dessa etapa."

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