''Seguir mudando'' dá a tônica na fala da petista

Mais uma vez o objeto de desejo dos presidenciáveis, o Brasil, foi o principal sujeito do discurso de Dilma Rousseff. Ela falou pela primeira vez como candidata durante a convenção do PT que formalizou seu nome, ontem. Foram 37 citações da palavra "Brasil", três a mais do que no discurso de José Serra (PSDB) no sábado, e quatro além do que disse Marina Silva (PV), na quinta-feira.

José Roberto de Toledo, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2010 | 00h00

A diferença do discurso da petista em relação ao dos seus principais rivais foi de tempo verbal. "Seguir mudando" foi a expressão que deu a tônica da fala de Dilma. Disse e repetiu essa conjugação 22 vezes, sempre se referindo ao País. É o que se poderia chamar de "presente contínuo", ou de gerúndio no poder.

Essa construção só faz sentido quando conectada ao nome-forte da candidatura de Dilma: Lula. Foi o que a candidata fez: citou o nome do presidente nada menos do que 18 vezes. A mensagem de Dilma pode ser sintetizada na seguinte frase, extraída do seu discurso: "Lula mudou o Brasil, e o Brasil quer seguir mudando."

A recíproca foi verdadeira. Ao discursar, o presidente disse que mudou de nome nesta eleição, para Dilma. E que ela o representará na urna eletrônica. Só falta agora Lula ir à TV e, ao melhor estilo Enéas, bradar: "Meu nome é Dilma."

O discurso de Dilma foi um pouco mais curto do que o de Serra, que já havia sido mais conciso do que o de Marina. A petista falou 4.063 palavras, das quais 1.059 foram distintas. A exemplo de seus adversários, usou um léxico equivalente ao de quem tem nível superior de escolaridade.

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