Segundo a Anac, piloto tinha situação irregular

Piloto tinha licenças vencidas há anos; Anac deve esclarecer situação nesta segunda-feira

Eliana Lima,

19 de junho de 2011 | 19h21

A Agência Nacional de Aviação (Anac) deverá prestar informações mais precisas nesta segunda-feira sobre supostas irregularidades na habilitação do piloto e empresário Marcelo Mattoso de Almeida, 48, que conduzia o helicóptero do tipo Esquilo prefixo PR-OMO, acidentado na noite de sexta-feira (17), na região de Porto Seguro, sul da Bahia. Quatro pessoas morreram e três continuam desaparecidas, entre elas o próprio Marcelo.

 

Conforme consta do site da Anac, o piloto tem situação completamente irregular. Para começar, a licença médica está vencida desde agosto de 2006. Pelas normas da aviação, piloto com amais de 40 anos - Marcelo tem 48 -, devem realizar exames médicos anualmente. Com idade inferior a 40 anos, a cada dois anos. Para pilotar um Esquilo, ele deveria ter habilitação AS 350 ou 355, o que não consta da sua licença.

 

Marcelo era habilitado para conduzir quatro tipos diferentes de helicópteros, mas todas as licenças estão vencidas há pelo menos cinco anos. Além disso, a habilitação de piloto privado, como a que ele possui, veda a possibilidade de realização de vôos comerciais, possibilitando apenas vôos particulares. Ele também não dispõe, conforme o site da Anac, de outra habilitação importante, a IFR (rota de vôos por instrumento), que permite a realização de vôos noturnos. A IFR não é concedida a pilotos com licenças privadas de helicópteros.

 

No final da tarde do domingo, 19, as buscas foram novamente suspensas, sem sucesso, devendo ser retomadas por volta das 6 horas da manhã desta segunda-feira, 20. No final da manhã foram localizados mais destroços da aeronave e uma bolsa, que provavelmente pertenceria a um dos ocupantes do helicóptero.

 

 De acordo com a Capitania dos Portos, apenas dois navios da Marinha permaneceriam no mar, durante a madrugada, realizando varreduras. Um deles, o varredor Albardão, que possui um equipamento especial identificado como sonar, de varredura lateral.

 

"Retiramos do mar apenas os homens e as lanchas, os navios continuarão o trabalho durante toda a noite. Caso algo seja detectado eles entrarão em contato conosco e enviaremos reforços", disse o capitão Jorge Cordeiro, que está no comando das operações.

 

Ele explicou que aeronaves de pequeno porte, como os helicópteros, são mais difíceis de serem localizados, quando se acidentam no mar, por serem montados com material e equipamentos leves, com dimensões muito menores que as dos aviões. "São mais fáceis de serem levados pela correnteza", observou

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