Segundo advogada, Alemão nega ser mentor de roubo ao BC

Advogada Erbênia Rodrigues diz não saber se seu cliente teria sido libertado após pagar extorsão

Carmem Pompeu, de O Estado de S. Paulo,

26 de fevereiro de 2008 | 17h18

Erbênia Rodrigues, advogada de Antônio Jussivan Alves dos Santos, o "Alemão", assim que soube da prisão de seu cliente, nesta terça-feira, 26, apontado pela Polícia Federal (PF) como o mentor do furto milionário ao Banco Central de Fortaleza, embarcou para Brasília. Segundo ela, Alemão nega ter planejado o crime e também nega ter ficado com a maior parte dos R$ 164,7 milhões levados por um túnel do cobre do BC.   Veja também: PF prende mentor do milionário furto ao BC de Fortaleza Bandido teria pago R$ 3 milhões por sua liberdade   "Ele diz que essa coisa de apontarem ele como chefe da quadrilha está lhe prejudicando", afirmou a advogada ao Estado por telefone. Erbênia defende o acusado desde quando a prisão dele foi decretada, dias após a descoberta, em agosto de 2005, da maior ação contra bancos já realizada no Brasil.     "Conversamos e ele me disse que agora só quer saber de resolver essa história processual que pesa contra ele. Sobre a participação dele no caso BC, ele se reserva o direito de só falar em juízo", informou Erbênia.   A advogada disse não saber se Alemão chegou a ser preso, anteriormente, por policiais de São Paulo e depois solto mediante pagamento de extorsão. "Fiquei sabendo dessa história pela imprensa. Ele nunca me falou nada sobre isso", comentou. Ela aguarda a transferência do acusado para Fortaleza, onde será ouvido pelo juiz federal Danilo Fontenelle Sampaio, responsável pelo caso BC.   Segundo Erbência, Alemão estava morando com a mulher - que também foi presa - em Brasília a cerca de um ano e meio, levando uma vida comum: "Não tem essa coisa de milionário. Ele vivia numa casa simples segundo a mulher dele me contou". A prisão aconteceu numa concessionária na segunda-feira, 25, à noite. "Não houve reação. Os policiais chegaram e ele se rendeu. Ele é calmo, uma pessoa bastante tranqüila", comentou a defensora.   Natural de Boa Viagem, cidade localizada no sertão cearense, e de onde veio boa parte dos integrantes que escavaram o túnel que deu acesso ao cofre do BC, Alemão completou 41 anos no último dia 8. Ele também é acusado de assaltar uma empresa de segurança privada no Ceará e de participar do assalto a uma transportadora de valores em São Paulo.   Testemunhas reconheceram Alemão como um dos homens que escavaram o túnel que deu acesso ao cofre do BC. Ele também foi visto escolhendo carros numa agência em Fortaleza, onde foi enxertada uma parte do dinheiro roubado. Um dos taxistas que conduziu parte do grupo de ladrões para o aeroporto de Fortaleza, no dia seguinte ao furto, também o reconheceu. Alemão responde na Justiça pelos crimes de furto qualificado, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e uso de documento falso.

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