Segundo colégio eleitoral do País atrai todos os candidatos

Cenário:

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2010 | 00h00

São 14,2 milhões de razões que têm apontado Minas Gerais como caminho para os candidatos à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse é o número total de votos em disputa no Estado, representando o segundo maior colégio eleitoral do País. Essa disputa tem funcionado como uma espécie de termômetro político.

Nas quatro últimas eleições presidenciais, o campeão de votos em Minas acabou subindo a rampa do Palácio do Planalto. Foi assim com Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998 e depois com Lula.

Em São Paulo, que concentra o maior número de eleitores, com 29,6 milhões, não funciona assim. Em 2006, por exemplo, Geraldo Alckmin (PSDB) derrotou Lula em São Paulo por 3,8 milhões de votos no primeiro turno. Não foi suficiente, porém, para chegar ao poder.

Entre os mineiros, é diferente. A vantagem obtida lá não tem sido revertida no quadro nacional. Em 1994, Fernando Henrique obteve 64,82% das preferências dos eleitores de Minas, contra 21,90% de Lula.

Na prática, isso representou uma diferença de 3 milhões de votos e abriu o caminho para que Fernando Henrique vencesse já no primeiro turno. Nunca mais se repetiu tão larga margem de vitória, mas os triunfos seguintes nunca foram inferiores a um milhão de votos e mostraram que ganhar em Minas é fundamental.

Por conta disso, depois de sair da Casa Civil, a petista Dilma Rousseff escolheu Minas para fazer seus primeiros movimentos, visitando várias cidades. Para compensar isso, o tucano José Serra também prepara junto com o ex-governador de Minas Aécio Neves uma espécie de pacote de projetos e obras de grande interesse para o Estado. Sonha ainda com sua presença na chapa como vice-presidente. Além disso, a senadora Marina Silva (PV) também deve ir a Belo Horizonte nesta sexta-feira.

Serra aposta na herança dos votos que iriam naturalmente para o ex-governador mineiro, seu colega de partido. Dilma, que nasceu em Minas (mas fez carreira no Rio Grande do Sul), acredita numa suposta insatisfação do eleitor local com a preferência do PSDB por Serra no lugar de Aécio. Investe também na aliança com o senador Hélio Costa (PMDB), líder nas pesquisas de intenção de voto. Ambos sabem que as montanhas de Minas podem apontar o caminho da vitória na sucessão do presidente Lula em outubro.

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