Segundo dia de Vagão exclusivo: tumulto no Rio

A estação ferroviária de Realengo, na zona oeste do Rio, foi cenário de tumulto na manhã desta terça-feira, 25, por conta da lei que estabelece a existência de um vagão exclusivo para mulheres. Dois universitários registraram queixa na delegacia do bairro por terem sido agredidos por três seguranças da Supervia. Eles disseram ter recebido empurrões e socos porque entraram por engano no vagão feminino.A lei vigora desde segunda-feira, 24, nos trens e no metrô e tem como objetivo evitar que passageiras sejam molestadas durante a viagem. Na segunda-feira, não houve incidentes - muitos homens andaram nos vagões exclusivos, mas não chegou a haver agressões.Problemas nos trensO segundo dia de operação do vagão exclusivo transcorreu normalmente no metrô. Já nos trens, às 6h25, os estudantes de Enfermagem da Faculdade Bezerra de Araújo Miguel Ângelo Silva, de 28 anos, e seu colega Messias Novaes, da mesma idade, foram vítimas da truculência dos seguranças.Os dois embarcaram em Campo Grande, onde moram, rumo a Piedade, onde fica o hospital em que fazem estágio, na companhia de quatro amigas. O grupo todo entrou, desavisadamente, no vagão destinado às mulheres. Cinco estações depois, em Realengo, os seguranças também entraram, para averiguar se lá havia homens. Ao avistá-los, partiram para a agressão. "Eles chegaram empurrando, nos agarraram e nos deram socos", contou Silva. "Eu me senti pior do que um bandido." O rapaz e o colega foram arrastados para fora do vagão, para espanto das amigas.Novaes contou que não havia alerta na estação Campo Grande sobre a lei. "A norma existe e eu aceito. Mas o que houve foi uma violência desmedida, abuso de autoridade, uma falta de respeito total". Ele disse que encontrou, na delegacia de Realengo, um outro estudante que relatou ter sido agredido também por um segurança da Supervia, pelo mesmo motivo, na estação ferroviária de Madureira, na zona norte. O funcionário teria cuspido no rosto do rapaz.Na delegacia, os estudantes de Enfermagem registraram queixa por agressão, depois de sete horas de espera. Os seguranças disseram que não bateram em ninguém, apenas garantiram o cumprimento da lei.As quatro amigas, que fazem estágio com os rapazes, seguiram viagem, a princípio, mas acabaram voltando para saber se eles estavam bem. Por fim, elas os acompanharam até a delegacia, em solidariedade. As jovens se disseram contrárias ao vagão separado. "É uma besteira. Viajo há quatro anos com meus amigos, todos as manhãs, e agora não posso mais", criticou Renata da Rocha Marciano, de 28 anos. "Deveriam era colocar mais vagões, para não ficar tão cheio", acredita Suellen Souza, de 23.A Supervia negou que os seguranças tenham agredido passageiros e informaram que a legislação ainda está em fase de adaptação. O deputado Jorge Picciani (PMDB), autor da lei, irá se reunir na semana que vem com representantes da Supervia e do metrô para que sejam discutidas formas de aperfeiçoar o novo sistema. Os espaços exclusivos têm de ser disponibilizados nos horários de pico: das 6 às 9 horas e das 17 às 20 horas. A intenção é resguardar as mulheres, já que muitas relatam terem sido molestadas no empurra-empurra dos vagões lotados.

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