Segundo perito, primeiro tiro teria sido dado por Alves na cabeça de Eloá

Um policial da Perícia que esteve no apartamento onde Eloá foi mantida refém por mais de 100 horas, em Santo André, e que pediu para não ser identificado, descarta que o tiro que a ela levou na virilha tenha tido conotação sexual, pela proximidade com o órgão genital, o que não é incomum em crimes passionais. Segundo ele, também não se sabe se Eloá estava ou não com a cabeça coberta com lenço, como se falou na sexta-feira. A provável seqüência de tiros disparados por Lindembergue Alves, segundo policiais do ABC, foi primeiro na cabeça de Eloá, que estava deitada no sofá no lado direito da sala, e depois em Nayara, deitada num colchonete próximo. O terceiro tiro é mais incerto e poderia ter sido dado quando os policiais invadiram o apartamento. Outros dois projéteis detonados foram encontrados no apartamento: um atingiu uma parede e outro, o escudo de um policial. A perícia encontrou o imóvel com objetos revirados e armários bagunçados pelos PMs, provavelmente em busca de armas. Alves tentou dificultar a invasão colocando uma mesa como anteparo na porta. Os oficiais do Gate só conseguiram quebrar duas das três dobradiças. Após o arrombamento, a porta caiu sobre a mesa. O trabalho dos peritos não identificou inicialmente disparos de armas letais por parte dos policiais no apartamento. Foram coletadas duas balas de borracha deflagradas pelo Gate. "Estava tudo revirado. Ficou impossível saber como estava a cena real", disse o policial civil. "Talvez as meninas estivessem deitadas pelo cansaço. Mas ele pode ter ordenado que elas ficassem deitadas, pois pode ter pensado que assim elas teriam menos tempo para reagir." A almofada onde Eloá estava apoiada, no sofá, foi encontrada pela perícia bastante suja de sangue. Já Nayara estaria provavelmente com os pés voltados para a janela deitada no colchonete, pela posição do sangue. Os policias acreditam que, quando Alves atirou na cabeça da ex-namorada, a amiga teria tentado se levantar. Ele então pode ter apontado para Nayara, que se protegeu com a mão no rosto. "Parece que o tiro foi de cima para baixo. Ele estava de pé do lado direito dela. Mas não dá para saber quem levou tiro primeiro. Isso só na reconstituição." O terceiro tiro teria sido dado já quando a polícia invadia a sala e, por isso, atingido a virilha de Eloá. O perito nega que tenham sido usadas bombas de efeito moral. "Lindembergue é forte. Os policiais tiveram dificuldades de segurá-lo." O perito acredita que a polícia demorou para invadir o local.

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

19 Outubro 2008 | 01h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.