Segundo turno volta à cena

Governo e oposição travam um duelo em torno da politização do episódio da quebra de sigilo de personagens expressivos do PSDB, com forte indício de motivação eleitoral. Até aqui, o governo perde a batalha. A sequência dos fatos, menos por empenho da Receita Federal e mais pela performance da imprensa, respinga na campanha de Dilma Rousseff.

João Bosco Rabello / Direto de Brasília, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2010 | 00h00

Esse diagnóstico é comum às duas forças em confronto. O que se mede agora é o potencial de influência do escândalo na campanha. O PSDB acredita que o porcentual de eleitores indecisos compreende e é sensível ao que se passa. O PT exibe uma indignação estratégica, ao mesmo tempo em que providencia pesquisas para aferir o impacto junto ao eleitorado.

No cálculo dos tucanos, 30% dos eleitores, localizados nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, podem ser influenciados pelo episódio e a comparação com o caso Francenildo Costa - o caseiro que teve seu sigilo violado por subordinados do ex-ministro da Fazenda e atual assessor de campanha do PT, Antônio Palocci -, é eficiente para alcançar a compreensão das camadas mais populares.

Nas duas campanhas o que se tenta medir é o potencial do escândalo como garantia de segundo turno das eleições. Para muitos, a dinâmica dos acontecimentos desafia o ritmo das investigações oficiais e mantém governo, PT e Dilma na defensiva. Para o Palácio do Planalto, o estrago está feito e demitir o secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, seria pior para a campanha de Dilma.

Efeito da TV

O comando da campanha de Dilma Rousseff admite que o espaço dedicado pelas emissoras de televisão ao escândalo da quebra de sigilo de tucanos pela Receita Federal pode ter efeito devastador. A conclusão determinou o acompanhamento das próximas pesquisas para comparação com as encomendadas pelo partido especificamente para esse fim. A preocupação maior é com a repercussão do Jornal Nacional, da TV Globo, que tem destinado blocos inteiros do noticiário ao assunto nos últimos dias.

Pausa providencial

O nascimento do neto Gabriel, esperado desde ontem pela candidata Dilma Rousseff, é também esperança dos petistas para amenizar a crise deflagrada pela quebra de sigilo da filha do adversário José Serra. Eles acreditam que a chegada da criança humanize ainda mais a imagem de Dilma. "Ela será mãe duas vezes", comemorava um dirigente. Mas o nascimento também pode tirar Dilma de comícios já programados, impondo seu deslocamento para Porto Alegre, onde reside sua única filha, Paula, mãe do rebento.

SOS para Costa

O presidente Lula vai, finalmente, atender ao apelo dramático de Hélio Costa (PMDB), candidato a governador de Minas, que perde terreno em velocidade espantosa para Antonio Anastasia (PSDB), apoiado por Aécio Neves. O presidente vai com Dilma a Contagem, na próxima quarta-feira, e pode participar de mais dois comícios no Estado, um deles na última semana da campanha. Lula também vai pedir votos no horário gratuito para Hélio Costa. Mas recusou gravar mensagem de telemarketing, como a que Aécio Neves fez para Anastasia: quando o eleitor atende o telefone em casa, ouve sua voz pedindo que vote em seu candidato.

Efeito Aécio

O último Datafolha mostrou que a vantagem de Hélio Costa sobre Anastasia, que era de 26 pontos no início de agosto, caiu para cinco pontos. Costa tem 40% das intenções de voto e Anastasia, 35%.

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