Segurança do RJ tenta descobrir origem de vídeos de foragido

Policial confirma que foragido subornou policiais para não ser recapturado; autoridades desconfiam de advogado

Alexandre Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

15 Fevereiro 2009 | 16h16

A Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança do Rio investiga a origem dos quatro vídeos postados no sábado, no site YouTube, com uma espécie de entrevista do ex-policial militar Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman. Acusado de liderar o braço armado da milícia Liga da Justiça na zona oeste do Rio, Batman está foragido há cinco meses, desde que escapou do Bangu 8 pela porta da frente.   O vídeo com o depoimento de Ricardo 'Batman'   O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, pediu ao seu setor de inteligência que entre em contato com o provedor do site para reunir informações da conta que postou o vídeo, para identificar o computador de onde o material foi gerado.   Embora a secretaria não confirme, há a suspeita de que o homem que faz as perguntas a Batman no vídeo seja um advogado dele. O homem, que não aparece diante das câmeras, aparenta ler as perguntas, e recebe de Batman respostas que parecem ensaiadas. Nos quatro vídeos, que somam pouco mais de 12 minutos, Batman acusa policiais de corrupção e conta ter pago R$ 50 mil a policiais que o encontraram recentemente para não ser preso. No entanto, nega ter pago R$ 2 milhões para escapar da cadeia. Diz ter aproveitado uma falha da segurança.   Batman admite ter armas tomadas de traficantes, mas nega estar por trás da série de assassinatos da disputa entre grupos paramilitares travada nos últimos meses na zona oeste. A secretaria informou que Beltrame viu os vídeos e identificou contradições na fala de Batman, mas não comentaria as declarações de um foragido. O secretário reiterou que a polícia do Rio deve à sociedade a prisão de Batman. Na semana passada, o Disque-Denúncia elevou para R$ 10 mil a recompensa por pistas que levem ao homem mais procurado do Rio.   Para o delegado Cláudio Ferraz, titular da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o desafio de Batman às autoridades do Rio, ao reaparecer na internet, revela a capacidade de articulação dos milicianos. Para o delegado, que investiga as máfias que envolvem segurança clandestina e a exploração de serviços ilegais, Batman quer confundir as investigações com o vídeo."É um trabalho de contrainformação. O que ele diz não se sustenta em fatos", diz.   O deputado estadual Marcelo Freixo, que presidiu a CPI das Milícias na Assembleia do Rio, classificou os vídeos como uma afronta ao poder público e cobrou a ação das autoridades para desbaratar as quadrilhas de paramilitares. na segunda-feira, 16, ele leva cópia do relatório da CPI ao novo procurador-geral de Justiça do Rio, Cláudio Soares Lopes. Para o deputado, os dados levantados pela CPI poderão facilmente subsidiar a investigação de policiais e bombeiros envolvidos com as milícias.   Um caminho, diz Freixo, é o levantamento de bens incompatíveis com a renda de agentes públicos O Tribunal de Justiça, o Ministério Público Estadual e a Secretaria de Segurança planejam a criação da Câmara Estadual de Repressão ao Crime Organizado (Cerco) para reunir processos e investigações sobre organizações criminosas.   Um policial que investiga Batman admitiu ao Estado que algumas das declarações dele são verdadeiras, como o fato de ter pago propina a policiais que o encontraram, para não ser recapturado no mês passado. No entanto, diz o policial, ele teria pago bem mais do que os R$ 50 mil que informou no vídeo a um outro grupo de policiais e estaria, agora, tentando incriminar os que nominou no vídeo. Batman também diz a verdade quando aponta ex-aliados como informantes da polícia. O policial também admite que crimes atribuídos a Batman nos últimos meses podem não terem sido ordenados por ele.   A disputa de milicianos por território provocou uma série de assassinatos na zona oeste nos últimos meses. No vídeo, Batman nega ter matado ex-aliados por vingança, como o bombeiro Carlos Alexandre Silva Cavalcante, o Gaguinho, morto a tiros em janeiro quando tentava controlar o transporte alternativo na região. "Gaguinho era sim meu inimigo, mas infelizmente não fui eu quem o matou. Alguém furou a fila e passou na minha frente", afirma Batman.   Na madrugada deste domingo, o corpo de um homem foi encontrado com vários tiros dentro de um Honda Civic em Cosmos, na zona oeste. A polícia suspeita que o crime possa ter ligação com a guerra de milicianos. Segundo as primeiras informações da Polícia Militar, o homem trabalharia como segurança e tinha no carro uma espingarda calibre 12. O caso está sendo investigado pela delegacia de Campo Grande (35ª DP).

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