Segurança é a grande pauta do país, diz Temer em entrega de ambulâncias

No interior de São Paulo, presidente defendeu intervenção federal no Rio: 'Se as coisas desandam no Rio de Janeiro, isso serve de mau exemplo ao País'

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

02 Março 2018 | 16h02

SOROCABA (SP) - O presidente Michel Temer disse, nesta terça-feira (2), que a segurança é a maior preocupação dos brasileiros. “Esta é a grande pauta do país. A segurança pública é algo que interessa ao país inteiro”, disse. Duas semanas depois de ter desistido da reforma da previdência, sua bandeira anterior, ao decretar a intervenção federal no Rio de Janeiro, Temer fez uma defesa de seu ato. “Fizemos uma intervenção no Rio de Janeiro porque a situação estava muito delicada. Se as coisas desandam no Rio de Janeiro, isso serve de mau exemplo ao País.”

Lembrando que o lema do seu governo é ordem e progresso - o mesmo da bandeira nacional -, Temer disse que o progresso está sendo alcançado, com a saída do país da recessão. “O que precisa agora é ordem”, afirmou. Disse ainda que, além da intervenção no Rio, foi “útil” a criação do Ministério Extraordinário da Segurança Pública. Depois de ter enumerado os recursos que destinou para o setor, inclusive para a construção de penitenciárias nos Estados, Temer pediu aos prefeitos e parlamentares presentes que fizessem reuniões com os setores de segurança em seus municípios. “A segurança pública é uma questão do país, e nós todos temos de estar reunificados para combater a insegurança. Aproveito para pedir aos prefeitos, aos vereadores. Onde houve problema de drogas, façam reuniões nas suas cidades, chamem o juiz, o delegado, o comandante da PM, vamos fazer mutirões e combater a criminalidade.”

++ Interventor diz que vazamento de operação preocupa e quer mudar perfil de ações

O presidente viajou a Sorocaba, interior de São Paulo, para entregar 300 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) a municípios brasileiros, em Sorocaba, a prefeituras de 219 a 219 municípios em 25 Estados. À solenidade, realizada na sede da concessionária que forneceu os veículos, Temer chegou acompanhado do ministro da Saúde, Ricardo Barros. As chaves foram entregues simbolicamente às prefeitas Cleci Veronezi (MDB), de Rancho Queimado (SC), Tânia Toledo (PSB), de Nova Granada (SP), Luciano Polaczek (MDB), de Apiaí (SP), mas, num gesto político, os cerca de 25 prefeitos presentes foram chamados ao palco. “Estou há sete anos esperando”, disse a prefeita Cleci.

“A coisa boa de vir aqui à região é que a gente se senta e começa a cumprimentar pessoas que me acompanham há mais de 30 anos. É como se estivesse voltando para a minha família.” Na fala, o presidente criticou os governos anteriores dizendo que reclamaram por não receberem ambulâncias há muitos anos. “Então é uma certa revolução que estamos fazendo na saúde”, disse, se auto-elogiando pela escolha do ministro Barros para a pasta.

++ Secretário de Segurança de SP diz não acreditar em migração de criminosos do Rio

Temer capitalizou também para seu governo a recuperação da economia. “A bolsa de valores, maior indicativo de confiança no país que estava em 40 mil pontos quando nós chegamos, hoje está em 80 mil pontos. Vocês viram o PIB do ano passado que está em 1%, mas nós saímos de um PIB negativo de 3,5%. Agora, este ano podemos chegar a um PIB de 3,5%”, disse.

Perguntando aos ouvintes “qual é o significado disso para o povo”, respondeu que isso significa valorização de salários, estabilidade nos empregos e queda nos preços dos alimentos. “Então eu tive muita sorte na economia. Este ano vamos ter de 3 a 3,5% de crescimento, significa que vamos ter a abertura de mais de 3 milhões de postos de trabalho, como já tivemos a abertura de mais de mais de 1,8 milhão novos postos de trabalho. Depois de tirar o país de uma recessão extraordinária, aos poucos, pois os pontos eram todos negativos, nós estamos construindo, na verdade, um novo país”, afirmou.

++ ‘Militares não buscam protagonismo no governo’, diz ministro da Defesa

Temer destacou ter feito a reforma do ensino médio que era desejada há mais de 20 anos, mas “só saiu agora, conosco, no nosso governo.” Ele lembrou ter acertado com o Ministério da Educação a criação de 500 mil vagas no ensino integral, “coisa de país desenvolvido” e disse que o governo vai ampliar o ensino em tempo integral em mais de um milhão de vagas. “Tem duas vertentes, a educacional, e também a vertente social. Muita criança pobre que passa o dia na escola, recebe também alimentação.”

O presidente disse que, embora ouça críticas “como se não protegêssemos o meio ambiente”, o desmatamento no país caiu 16% em um ano e meio. “Estava numa velocidade extraordinária o desmatamento. Aumentamos em 400% a área da Chapada dos Veadeiros, assim como aumentamos a reserva biológica do Rio de Janeiro em 400%, e outros tantos fatos e efeitos derivados da ação relativamente ao meio ambiente. Quando pegamos a agricultura, tivemos safra recorde no ano passado e outra safra recorde anunciada para este ano.”

Sem citar em nenhum momento do discurso a reforma da previdência, Temer disse que teve alguns gestos ousados, pois o Brasil precisa de ousadia. “Fiz coisas neste governo que outros governos não tiveram coragem de fazer. Fixamos um teto para os gastos públicos, e jamais se fez isso no país; fizemos a modernização trabalhista, que está abrindo empregos, além da própria reforma do ensino médio. O progresso estamos atingindo, basta ver as manchetes dos jornais, saímos da recessão e estamos progredindo."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.