Segurança executa adolescente no Alto de Pinheiros (SP)

Reclamação de garoto de 15 anos, ao ver trafegando em alta velocidade um carro dirigido por um funcionário de uma empresa de segurança, que vigia ruas do Alto de Pinheiros, na Zona Oeste, motivou sua execução com cinco tiros. O fato ocorreu na noite de ontem, na Praça Vicentina de Carvalho, diante de cinco amigos da vítima.Na quinta-feira, o segurança passou pela praça dirigindo rapidamente um auto Uno Mille branco, com a identificação da empresa de segurança. Guilherme Mendes de Almeida, um estudante filho de um vendedor de espetinhos na Vila Madalena, protestou e o carro parou, iniciando-se uma discussão. O adolescente argumentava que ali pessoas fazem caminhada e corriam o risco de ser atropeladas. Mas o vigilante, sentindo-se ofendido, começou a ameaça-lo e trocaram ofensas. E o homem partiu rapidamente no veículo.Com dois amigos e três amigas, no início da noite de sexta-feira, Guilherme estava na mesma praça e viu novamente um auto Pálio da mesma empresa de segurança, em velocidade excessiva. Inconformado, o adolescente voltou a protestar, gesticulando. Depois de dar volta na praça o carro parou perto deles. O mesmo vigilante, empunhando uma pistola, desceu e ordenou que todos erguessem os braços. Depois, que levantassem as blusas para ver se não traziam arma à cintura. Em seguida que ficassem de costas, com as mãos na cabeça. Depois, apontando Guilherme, falou: "O alemão vem pra cá e os outros não olhem para trás". Temendo pela vida, o adolescente argumentou que apenas pediu para ele trafegar mais devagar, mas o vigilante começou a disparar. O garoto foi atingido no maxilar, no pescoço, no peito e duas vezes nas costas. O agressor entrou no carro e fugiu.Populares socorreram Guilherme ao Hospital Panamericano, onde ele morreu em seguida. Os amigos foram levados pela polícia ao 14º DP Pinheiros, onde foi instaurado o inquérito de homicídio. Apesar de afirmarem que o criminoso trabalha na empresa Itaim Segurança, a delegada de plantão argumentou que, como duas empresas cuidam da vigilância da região, não se pode ter certeza de em qual delas trabalha o homicida. Um representante da Itaim Segurança compareceu à delegacia com as fotocópias das carteiras de identidades de todos os profissionais contratados. Um deles foi apontado como possível assassino. A falta de uma confirmação, com certeza, por parte das testemunhas, fez com que ele não fosse indiciado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.