Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Segurança Pública é principal tema associado a Bolsonaro no Twitter

Com decreto sobre posse de armas, o presidente reconduziu o tema ao tópico central dos debates nas redes

Daniel Galvão, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2019 | 17h29

A Segurança Pública tornou-se o principal tema associado ao presidente Jair Bolsonaro e ao debate político no Twitter, após a assinatura do decreto sobre posse de armas. Com o decreto, Bolsonaro reconduziu a segurança ao tópico central dos debates nas redes sociais tanto entre apoiadores como entre adversários. Dos 2,33 milhões de tuítes relacionados ao debate político na semana entre 9 e 16 de janeiro, segurança pública aparece no topo, com 475,36 mil, passando Direitos Humanos, que ficou em segundo, com 359,11 mil. Os dados fazem parte do levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (Dapp/FGV), publicado em primeira mão pelo Broadcast Político.

O tema Direitos Humanos perdeu força no debate político após as primeiras ações políticas do governo Bolsonaro relacionadas à Segurança Pública, embora ainda estejam entre os principais destaques associados à nova administração, de acordo com os pesquisadores da FGV.

Segurança Pública, sobretudo o tópico "posse de armas", e Forças Armadas (85,2 mil tuítes) dominaram as discussões positivas sobre o novo presidente, assim como a composição do governo e as relações exteriores. Nas redes, a discussão sobre segurança esteve relacionada, com "elevado poder de interlocução", a outras pautas, como legalização das drogas, feminicídio, combate ao crime organizado e as relações entre Brasil e Estados Unidos, segundo o estudo da FGV.

Apoio 

O grupo de apoio a Bolsonaro permanece coeso em discussões no Twitter, na avaliação dos pesquisadores. Essa coesão é verificada a partir de publicações dos perfis de Bolsonaro e dos filhos. Entre 9 e 15 de janeiro, foi registrado 1,51 milhão de retuítes a partir de uma base de 2,61 milhões de postagens sobre o governo. No grupo pró-governo (21,5% dos perfis e 44,4% das interações), Bolsonaro e filhos continuam como os influenciadores de maior força. Mas, de acordo com o levantamento, outros atores começam a se posicionar melhor entre as publicações de impacto mais amplo, como políticos, jornalistas e celebridades da direita.

Oposição 

Mudanças começaram a ser observadas na organização dos grupos que fazem oposição ao governo. Segundo o estudo, há agora menor influência direta do núcleo alinhado ao PT no debate político. O levantamento apontou que os núcleos de oposição no Twitter se fragmentaram e apresentam menos influência de políticos.

No grupo alinhado a líderes petistas e, em menor grau, ao PSOL, foi detectado também o uso do humor, a partir de engajamentos feitos pelo ex-candidato a presidente Fernando Haddad (PT), que tem feito postagens com conteúdo irônico sobre o novo governo. Nesse grupo, que representa 12,3% dos perfis analisados, a flexibilização do posse de armas e as nomeações do novo governo estão entre os principais destaques.

Reforma da Previdência 

Na discussão econômica, a reforma da Previdência é o tema mais relevante, segundo o estudo da FGV. Outras questões econômicas perderam espaço, sobretudo por causa da "indecisão sobre os movimentos políticos para se aprovar a reforma da Previdência". Outras agendas têm se destacado nas redes, conforme os pesquisados, como a ida de Bolsonaro ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, a promessa de divulgação dos maiores devedores do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e revisões contratuais anunciadas pelo governo. 

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