Seguranças depõem sobre morte de jovem em shopping

Ao menos três seguranças que prestam serviços ao Shopping Iguatemi, em Campinas, depuseram nesta segunda-feira, 23, na Delegacia Seccional sobre a morte do radiologista Rafael Silva de Paula Moreira, de 26 anos, assassinado na última quarta-feira quando saía do centro comercial. Segundo informou o delegado responsável pelo inquérito, Carlos Henrique Fernandes, as versões dos seguranças foram coerentes entre si, mas contradisseram trechos do depoimento dado na sexta-feira pelo segurança Roberto Aparecido Lopes, 28 anos, autor do disparo que matou Moreira.O radiologista saía com cinco amigos do shopping. O tiro disparado por Lopes acertou o rosto do rapaz, que morreu a caminho do hospital Mário Gatti. O segurança se apresentou à polícia na sexta-feira, quando teve sua prisão temporária de 15 dias decretada pela Justiça, por homicídio doloso qualificado (motivo fútil).Segundo o delegado, Lopes disse estar acompanhado de outro segurança em determinado momento da discussão com o grupo, que teria derrubado cones de sinalização do estacionamento. O colega de trabalho negou ter presenciado tal momento.O delegado informou que as imagens das câmeras do circuito interno fornecidas na sexta-feira pelo advogado do shopping, Ralph Tórtima Filho, não têm áudio e estão "escuras". Fernandes não descartou a possibilidade de requisitar mais imagens ou pedir a reconstituição do crime.Peritos do Instituto de Criminalística (IC) de Campinas começam a produzir na terça, 24, laudos sobre o caso. Segundo informou o diretor do IC, Roberto Monteiro da Fonseca, além do laudo feito no local do crime, na quarta-feira, 25, os peritos farão o laudo do capacete com mancha de sangue entregue pela polícia e o exame de balística do revólver calibre 38, indicado como a arma do crime. Os laudos ficam prontos em 15 dias, segundo Fonseca. As imagens do circuito interno ainda não foram enviadas ao IC.Na sexta, o segurança Roberto Lopes confessou ter feito um disparo contra a vítima. Um amigo de Rafael Moreira, que disse estar na garupa da motocicleta pilotada pelo radiologista, afirmou ter ouvido três disparos. Lopes afirmou na sexta que outro segurança teria dado um tiro de advertência momentos antes do disparo que atingiu Moreira. Outros dois seguranças ainda serão ouvidos pela polícia.O advogado do segurança, José Pedro Said Júnior, disse nesta segunda que vai aguardar a conclusão do inquérito policial para tomar novas medidas. Lopes ficará preso até o fim da próxima semana. Said Júnior vai tentar classificar o crime cometido pelo segurança da empresa terceirizada Verzani & Sandrini Segurança Patrimonial como homicídio simples. A pena para o homicídio qualificado varia entre 12 e 30 anos de prisão, no caso de condenação. Para o homicídio simples, cai para seis a 20 anos.

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