‘Segurei a mão da minha mulher e pensei: Meu Deus!’, diz passageiro de voo da TAM

João Batista Ferreira, de 74 anos, estava no pouso de emergência de voo da TAM; após explosão na turbina direita, Airbus balançou muito e cabine foi invadida por cheiro de querosene

Nataly Costa, de O Estado de S. Paulo ,

12 Outubro 2012 | 23h29

O psicanalista João Batista Ferreira, de 74 anos, era um dos 201 passageiros do voo JJ8055 da TAM, que partiu quarta-feira de Paris com destino ao Rio, mas precisou voltar à capital francesa para pouso de emergência. A seguir, ele conta detalhes do que ocorreu quando o Airbus A330 perdeu uma das turbinas pouco depois de decolar. Ninguém ficou ferido. Passageiros voltaram ao Brasil na sexta-feira.

“O voo decolou pontualmente por volta das 23 horas de Paris. Uns 20 minutos depois da decolagem, a turbina do lado direito explodiu. Pensamos que algum tipo de contêiner tivesse caído do porão do avião, tamanho foi o barulho que fez e o balanço que provocou no avião.

Eu estava sentado do lado esquerdo, mas as pessoas da direita viram chamas e todo mundo sentiu cheiro de querosene. A instabilidade do avião era muito grande, ora tombando para a direita, ora para esquerda. Nesse momento, o avião ainda estava subindo e, de repente, o bico do avião começou a baixar. Segurei a mão da minha mulher e pensei: ‘Meu Deus!’.

Pensei logo no avião da Air France que caiu no meio do oceano.

Durante alguns minutos, o avião ficou meio desgovernado, mas o piloto foi de uma habilidade incrível e retomou o controle. Quando o avião ficou estável, o piloto teve uma postura que achei fundamental para manter todo mundo calmo. Ele disse: ‘Senhores passageiros, perdemos a turbina do lado direito, estamos voltando para Paris’.

Começamos a descer e o avião pousou com muita maestria. Só no aeroporto tomamos consciência da gravidade da situação, por causa da quantidade de bombeiros e ambulâncias que cercaram a aeronave. Durante o susto, houve um silêncio que eu nem sabia que podia existir nessas situações. As pessoas se mantiveram rigorosamente no lugar delas e ficaram estáticas até o pouso da aeronave. Só aí é que se ouviram choro e orações, mas sem nenhuma histeria. Apenas uma das aeromoças estava em prantos.

Quando pousamos, muita gente foi agradecer o comandante. A tripulação foi aplaudida e os comandantes aceitaram os agradecimentos, mas disseram: ‘Temos é de agradecer vocês pelo silêncio absoluto’.

O atendimento em terra da TAM foi excelente. O avião estava lotado, mas todos foram assistidos e conseguiram hotel. Quem tinha mais pressa para embarcar foi reacomodado em outros voos imediatamente.”

Outros sustos na aviação

3 de agosto de 2009

Uma forte turbulência em um Boeing 767 da Continental que ia do Rio para Houston (EUA) deixou 28 feridos. O voo foi desviado para Miami.

1º de abril de 2011

Uma aeronave da TAP Portugal que saiu do Rio para Lisboa fez um pouso de emergência em Salvador. A empresa aérea afirmou que houve “problema em um dos reatores”.

22 de janeiro de 2012

Forte turbulência em um voo da American Airlines entre Recife e Miami deixou três comissários feridos.

11 de junho de 2012

Um avião da TAM que ia do Rio para Belém teve princípio de incêndio e precisou aterrissar em Brasília.

14 de setembro de 2012

Um avião da Delta que ia para Detroit voltou para Cumbica 1h30 após decolar. Segundo a empresa, foi detectado problema em um dos pneus.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.