Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Seguro viagem não autoriza transferência e turista brasileira é operada às pressas no Peru

Segundo a família, operadora se recusou a fazer o traslado para o Brasil até que ficasse comprovado que a doença não era pré-existente

Clarissa Thomé , O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2013 | 19h39

A arquiteta brasileira Natália Duffles, de 32 anos, foi operada às pressas de um tumor no cérebro e está internada em Cuzco, no Peru, sem previsão de alta. Ela sentiu-se mal na sexta-feira, 6, mas o seguro viagem não autorizou a transferência para o Rio de Janeiro, até que ficasse comprovado que a doença não era pré-existente, informou a família. Na quinta-feira, 12, o estado de saúde de Natália se agravou e ela teve parte do tumor retirado no Hospital Mac Salud. Ela não tem previsão de alta.

A arquiteta contratou o seguro viagem do cartão Visa Platinum, que repassou o serviço para a AXA Assistance. "O que aconteceu foi absurdo. Depois que chamamos a atenção pelas redes sociais, a seguradora chegou a informar o horário de dois voos em avião com UTI, mas não confirmava os dados. Na quinta-feira, ela teve de ser operada", afirmou a jornalista Bárbara Duffles, irmã da arquiteta.

Natália fazia uma viagem sozinha para Machu Picchu, quando sentiu-se mal. Ela procurou o hospital com vômitos, diarreia, e dores de cabeça. Exames revelaram o tumor na região frontal do cérebro e a arquiteta entrou em coma. O hospital entrou em contato com o consulado brasileiro e, no domingo, 8, a família de Natália foi contactada pelo Facebook por um representante do consulado.

Começava, então, a angústia da família. "A AXA Assistance disse que nós tínhamos que provar que a doença não era pré-existente. Na segunda-feira, arrombei o apartamento da minha irmã para procurar os exames, escaneá-los e mandá-los para a empresa", conta Bárbara.

A família entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde e Natália seria operada no Instituto do Cérebro, dirigido pelo neurologista Paulo Niemeyer Filho. A seguradora chegou a informar para a família que Natália viajaria para o Rio em voo que estava dentro do limite contratado (US$ 50 mil), na tarde de quarta-feira. "Depois, sem explicar o motivo, disseram que ela teria de vir em outro voo, também na quarta-feira, que custaria mais US$ 33 mil para a família. Concordamos mesmo assim, mas eles também cancelaram esse voo. Na quinta-feira, ela piorou e precisou ser operada", disse Bárbara.

A jornalista contou que somente na sexta-feira, 13, a seguradora pagou a passagem para que sua mãe viajasse para o Peru, a fim de acompanhar Natália - o pagamento de viagem de parente para acompanhar um segurado doente estava previsto no plano contratado.

Segundo Bárbara, ontem os médicos começaram a retirar a sedação de Natália. Ela está recuperando a consciência e chegou a segurar a mão de sua mãe, mas o hospital diz que ela não pode fazer a viagem para o Brasil. "Se a seguradora tivesse feito tudo certinho, minha irmã teria sido operada no Brasil, com os melhores médicos. Por conta da demora deles, de burocracia, acabou sendo operada longe da família, em um hospital do qual não tínhamos nenhuma referência".

A operadora Visa informou que não comenta o caso para manter a privacidade do portador do cartão. O Estado procurou ainda a empresa que representa a AXA Assistance no Brasil. A informação é de que a assessoria da seguradora entraria em contato com a redação, o que não ocorreu até as 19 horas.

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