Seis controladores de vôo de Manaus estão em greve de fome

Seis controladores de vôo do Centro de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-4), a torre de controle dos aeroportos de Manaus, estão em greve de fome no prédio anexo ao Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) desde a quinta-feira, 29.A informação é de um controlador de vôo que não quis se identificar à reportagem do Estado por receio da punição militar, e que enfrenta há quase seis meses o que chamou de "terror" da Aeronáutica promovido pelos superiores militares."A população nos vê como os vilões, os milicos que fecham os aeroportos e causam os atrasos, mas sequer dar entrevistas contando o nosso lado, mostrando o rosto e o nome é permitido a qualquer um de nós", afirma o controlador, que destaca nunca ter vivido crise tão duradoura e radical na Aeronáutica. O controlador pediu para ligar à reportagem a cobrar de um telefone público para a entrevista, rcom receio de seu celular estar grampeado.Segundo ele, as paralisações nos aeroportos do País, negadas pela Aeronáutica como greve branca, são sim "paralisações de alerta". "É o único modo de chamar a atenção, parando por alguns momentos para ver se a população reage por nós, que não temos como fazer nada. Até greve de fome seis estão fazendo para tentar chamar a atenção, mas vocês civis não fazem a mínima idéia do clima pesado, piorando, daqui de dentro".De acordo com a fonte, os controladores estão monitorando vôos acima do recomendado por normas de segurança. "O espaço aéreo da Amazônia é muito congestionado e somos poucos por plantão: tem horas que estamos cada um monitorando até cinco aeronaves, o que é absurdo".RepresáliaOs controladores de vôo, segundo a fonte, reclamam principalmente pela formação de um Sindicato da categoria, que possa falar por eles sem perseguição, afastamento do posto ou qualquer represália. Ele também diz ser a favor da criação de uma CPI do Apagão para que chamem controladores de vôo ao Congresso para seus depoimentos, embora em sigilo para não sofrerem sanções internas. "O ideal seria mostrar a cara, mas é impossível".Para ele, a população deveria se insurgir de uma forma construtiva com os atrasos de vôos. "Devem exigir, por exemplo, que jornais, TVs e rádios façam um tour nas torres de controle, para observar os equipamentos pifados no meio dos pouco funcionando adequadamente: em Manaus temos o ILS pifado, numa cidade onde há tempestade todo dia. Só de olhar dá para ver que há algo errado, pelo estresse que transparece na gente, ainda mais agora com colegas acampados aqui em greve de fome".O controlador de vôo afirmou que o manifesto que está circulando pode ser resumido numa frase: "Não temos condições de continuar prestando este serviço, que é de grande valia ao País, da forma como estamos sendo geridos e da forma que somos tratados. Não confiamos nos nossos equipamentos nem em nossos oficiais superiores."

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