Seis mortos em rebelião em Osasco

Seis presos morreram e quatroagentes penitenciários ficaram feridos nesta segunda-feira durante uma rebeliãono Centro de Detenção Provisória (CDP) 1, de Osasco, na GrandeSão Paulo - a quarta em presídios do Estado em 48 horas. O motimdurou das 9h30 às 15 horas, quando os detentos se renderam aojuiz-corregedor de Osasco, José Marcos Silva. Os detentos chegaram a fazer reféns cinco agentes, masno fim da rebelião permaneciam com apenas dois. Até o início danoite, a Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo haviaidentificado cinco mortos: Valdeci Primão, Jorge Batista Firmino, Alexandre Bispo dos Santos, Adriano Cardoso Tomaz e SérgioBarreto.Entre os feridos, quatro presos e um funcionário do CDPestavam internados no fim da tarde, mas não corriam risco devida. Os outros três agentes sofreram lesões leves. Segundo o major Édson Santos da Silva, coordenadoroperacional do 14º Batalhão da Polícia Militar, o motim começoudepois de uma tentativa de resgate de presos. Por volta das 9h30, "cinco ou seis" homens, em três veículos - um Fiorino, umCorsa e uma Blazer - se aproximaram da muralha do presídio eatiraram nas torres de vigilância. Ainda de acordo com o major, eles estavam fortementearmados, inclusive com fuzis AR-15. "Além disso, também jogaramuma bomba contra as muralhas", contou Silva. "Os policiais devigia revidaram os tiros, e os bandidos fugiram." Mais tarde foiencontrada uma granada não explodida, do lado de fora dopresídio. Poucos minutos depois, os 937 detentos do CDP serebelaram - o presídio tem 768 vagas. Armados com barras deferro e estiletes, fizeram reféns, quebraram vidros, puseramfogo em colchões e depredaram instalações. Também mataram osseis companheiros, provavelmente por vingança. Todos morreramcom estiletadas.No pátio, os presos usaram lençóis paraescrever o número 1533, que identifica a facção criminosaPrimeiro Comando da Capital (PCC) - o 15 representa o P, e o 3, oC, que são a 15ª e a 3ª letras do alfabeto. Também escreveram"Paz, Justiça e Liberdade", lema do PCC, e "1533 e CV, UnidosVenceremos", alusão ao Comando Vermelho, facção criminosa doRio.A frase reforça suspeitas de que os dois grupos estãounindo forças. Na semana passada, autoridades do Rio divulgaramque o PCC e o CV estavam fazendo um estatuto comum. Mas nem omajor Édson nem o juiz atribuíram a ação desta segunda ao PCC. "Nãotemos nenhuma informação que leve a isso", disse o major. O fim da rebelião começou a se delinear por volta das 14horas, quando o juiz-corregedor chegou ao CDP. Os presosreceberam a garantia de que Silva estará no CDP quarta-feirapara ouvi-los e se renderam uma hora depois."Não haviafuncionários suficientes para realizar a revista nas celas e nosdetentos", reclamou Silva. "Só havia 20, quando o ideal seriapelo menos 50. A demora em fazer a revista poderia ter causadonova rebelião." Pouco antes das 15 horas, a Tropa de Choque entrou nopresídio. Ao contrário de motins anteriores, não foi necessárioagir diretamente contra os detentos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.