Seis pessoas morrem em trecho sem manutenção na BR-116

Seis pessoas morreram e 35 ficaram feridas, 12 em estado grave em acidente ocorrido na madrugada desta terça-feira quando o ônibus de turismo em que viajavam caiu de uma ponte na rodovia Regis Bittencourt (BR-116) que liga São Paulo à Curitiba. O acidente aconteceu por volta da uma hora, no KM 363 no município de Miracatu. Ônibus da empresa BRSul Turismo , placas AIB-6948 de Florianópolis (SC) seguia do Rio de Janeiro para Camboriu no litoral catarinense, levando turistas para um parque temático. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o motorista João Paulo Lopes Júnior perdeu o controle do veículo depois que um dos pneus estourou ao cair num buraco existente na ponte sobre o rio São Lourencinho, no distrito de Santa Rita. A ponte de 120 metros de extensão já estava sem defensas por causa de outro acidente. O ônibus caiu de uma altura de 20 metros e ficou parcialmente coberto pela água. Cinco pessoas morreram na hora. A outra vítima, faleceu no hospital. Dois corpos, entre eles o da menina Clara Beatriz Silva Melo de 3 anos, ficaram presos embaixo do ônibus e só foram resgatados oito horas depois. Os feridos foram levados para os hospitais de Juquiá, Miracatu, Itapecerica da Serra, Jacupiranga, São Lourenço da Serra e Registro.No local do acidente, a rodovia tem pista única. A Polícia fechou a estrada para facilitar o socorro às vítimas. A interdição total durou cerca de 5 horas. A fila de veículos parados chegou a 12quilômetros nos dois sentidos. O Corpo de Bombeiros mobilizou 11 viaturas de resgate e socorro das unidades de Itapecerica, Osasco, Cotia e Butantã em São Paulo.Hospitais da região mandaram 12 ambulâncias para o local do acidente. O lavrador Manoel Pedro Alves de Souza, de 40 anos, foi um dos primeiros a chegar para socorrer as vítimas. Ele estava assistindo televisão em sua casa, a 30 metros da ponte, quando ouviu um estrondo. ?Pelo barulho percebi que o acidente era grave?. Souza cruzou o rio a nado e começou a retirar as pessoasdo ônibus. Segundo ele, era só gritaria, desespero e sangue. Quando as primeiras ambulâncias chegaram, uma hora depois os feridos estavam sobre a pista. ?Só deixamos para trás os mortos? contou. Ele disse que uma mulher negava-se ir para o hospital sem a filha. A criança inicialmente dada como desaparecida, foi achada morta sob o ônibus. Os dois motoristas sofreram apenas ferimentos. O reserva Valdir Mendonça de Oliveira, ajudou a socorrer as vítimas. O inspetor da Policia Rodoviária Federal, Mardilher Amalio Ribeiro, disse que o abandono da rodovia foi a causa do acidente. ?Veja se isso é ponto para um País como o nosso?, disse apontando a falta de defensa e a estrutura que balança a passagem dos veículos. Segundo Ribeiro, o ônibus ficou descontrolado depois de cair numa das crateras existente no asfalto. ?Pessoas que eram socorridas disseram ter ouvido um estouro seguida daquebra de peça metálica, então provavelmente um pneu estourou e a suspensão quebrou?. Ele não descarta a hipótese de ter ocorrrido imprudência. ?Havia chuva e neblina e pela freada o ônibus estava em excesso de velocidade?.Até a tarde, além da criança, tinham sido identificados os corpos de Irene Rodrigues De Goes e Hugo Guimarães Gaspar. A Polícia esperava a chegada de parentes para confirmar a identidade das outras três vítimas. Os corpos estavam no Instituto Médico Legal de Registro e seriam transferidos para o Riode Janeiro, onde residem os familiares.Sete anosA duplicação dos 30 quilômetros da Serra do Cafezal onde ocorreu o acidente com o ônibus, está parada há sete anos por questões ambientais. O trecho entre o quilômetros 337 em Juquitiba e o 367 em Miracatu, é a parte que falta para a duplicação completa dos 360 quilômetros da rodovia entre São Paulo e a divisa com o Paraná. O projeto de duplicação obteve licença ambiental da Secretaria do Meio Ambiente do Estado, em l996 mas foi embargado na Justiça pelo ambientalistas. O projeto feito pelo antigo DNER prevê a abertura da nova pista, fora do eixo da estrada. Para os ambientalistas, o impacto seria menor com a construção da pista paralela a existente. O impasse tarda em ser resolvido. Segundo a Polícia Rodoviária Federal na Serra acontecem 80% dos acidentes com vítimas de todo o trecho paulista.Segundo o operado de balança, Edvaldo Gomes Ferreira, passam alí de 4.500 a 5.000 caminhões de carga por dia. Segundo inspetor Ribeiro, a falta de duplicação não é desculpa para o abandono da estrada. ? Cadê a sinalização? cadê o recapeamento? indagava. Mesmo a parte duplicada está se deteriorando um trecho de seis quilômetros de pista nova, foi abandonado em razão da queda de uma barreira. No canteiro central, o mato transformou-se em capoeira. Segundo Ribeiro a roçagem não é feita há mais de um ano. Em muitos pontos há buracos e o asfalto está esfarelando. Também está parado o processo de concessão da rodovia para a iniciativa privada. Segundo Ribeiro, os estudos foram entregues ao Ministério dos Transportes há dois anos, mas o Ministério Público Federal paralisou os contratos por suspeitas de irregularidades.

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