Rodrigo Carvalho/AFP
Rodrigo Carvalho/AFP

Série de ataques desafia governo e leva medo ao Ceará

Fortaleza e em mais 3 cidades tiveram atentados contra veículos e prédios públicos; para polícia, ordem veio de facções criminosas

Carmen Pompeu, especial para o Estado de S. Paulo

25 Março 2018 | 17h06
Atualizado 25 Março 2018 | 21h33

FORTALEZA - Uma série de ataques a veículos, prédios públicos e torres de telefonia no Ceará resultou em três mortes e seis suspeitos detidos pela polícia. Os atos ocorreram ao longo do fim de semana em diferentes bairros de Fortaleza e em três cidades do interior do Estado. Após as ações, o governo reforçou o policiamento nas ruas, com escolta a ônibus e helicópteros, mas muitos moradores ficaram por medo de sair de casa. O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), comparou os ataques a atentados terroristas. 

A polícia acredita que a onda de terror tenha sido orquestrada por facções criminosas como forma de intimidar o governo a não instalar bloqueadores de celulares nos presídios. “Estes atos criminosos, que se assemelham a atos terroristas, têm ocorrido por interesses contrariados desses bandidos, que buscam afrontar o Estado e amedrontar a população. Não conseguirão intimidar o Estado. Muito pelo contrário. Essas ações serão respondidas com força, à altura que for necessário”, disse o governador.

Em Fortaleza, os ataques começaram na madrugada de sábado, 24, quando três criminosos que teriam tentado atacar o prédio da Secretaria de Justiça e Cidadania morreram após trocarem tiros com policiais militares, segundo o governo. Um quarto bandido conseguiu fugir. Pela manhã de domingo, 25, o governador Camilo Santana comemorou a ação policial. “Nem a polícia nem o Estado vão aceitar qualquer afronta de criminosos. Nossa resposta será sempre essa, como foi dada fortemente pela polícia”, afirmou.

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O governador e outras autoridades, como o presidente do Senador, Eunício Oliveira (MDB-CE), e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), já haviam sido ameaçados por bandidos que atacaram uma agência dos Correios na última quinta-feira, 22. Na ação, os criminosos deixaram um bilhete avisando sobre ataques a equipamentos públicos caso sejam instalados bloqueadores de celular nas unidades prisionais. A ameaça foi cumprida.

Só na capital, seis ônibus foram incendiados entre sábado, 24, e domingo, 25. A frota chegou a ser recolhida no início da noite de sábado e só voltou a circular em comboio com escolta policial. Os bandidos também lançaram bombas caseiras (coquetéis molotov) contra as sedes das Secretarias Executivas Regionais 3 e 4 e atiraram no prédio do Juizado Especial Cível e Criminal, no bairro Itaperi. Duas antenas de telefonia foram danificadas nos bairros Jardim Iracema e José de Alencar. Para o prefeito Roberto Cláudio , foram “atos de vandalismo”.

No interior, os ataques aconteceram em três cidades. Em Cascavel, bandidos atearam fogo em um depósito de veículos apreendidos, atingindo cerca de 50 carros e motos. Em Sobral, a 240 quilômetros de Fortaleza, o prédio da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) também foi atacado. Em Caucaia, um ônibus foi incendiado. 

O policiamento em Fortaleza foi reforçado, com o apoio de helicópteros. A sede da Prefeitura teve os acessos bloqueados com grades. Entre a noite de sábado, 24, e a tarde de domingo, 25, a polícia prendeu seis suspeitos de participarem dos ataques. Um dos detidos portava uma pistola calibre 380 com 13 munições e os outros cinco carregavam galões de gasolina escondidos em mochilas. 

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Medo. Mesmo com a presença mais ostensiva da polícia, muitos moradores preferiram ficar em suas casas no domingo como medo de novos ataques. As arquibancadas do estádio Presidente Vargas, onde ocorreu à tarde o jogo entre Ceará e Uniclinic pela semifinal do campeonato estadual, tinham apenas 3 mil torcedores, ante a capacidade máxima de 20 mil pessoas.

Lorena Cavalcante, que costuma deixar o carro à noite na rua em frente ao prédio onde mora, resolveu colocar o veículo na garagem rotativa, por receio da ação de bandidos.

No início da tarde, uma mulher, que pediu anonimato, ficou em meio a uma troca de tiros entre policiais e bandidos. O caso aconteceu na esquina das avenidas Rui Barbosa com Antônio Sales, no bairro Aldeota. “Estávamos a caminho do restaurante e, de repente, a polícia parou e começou a atirar e atirar. E os bandidos também começaram a atirar no meio de nós. A gente se jogou no carro, ficamos parados esperando passar o tiroteio”, disse a mulher, assustada.

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