Seis PMs são presos por roubar e proteger assaltantes

Uma semana depois da prisão de 70 policiais militares, sob acusação de envolvimento com o tráfico de drogas e a máfia dos caça-níqueis, outros seis PMs foram capturados, dessa vez por praticar furtos e roubos a caixas eletrônicos e, ainda, proteger assaltantes. Além deles, mais onze policiais fariam parte da quadrilha, que usava farda e carros oficiais em suas ações. Integra o grupo, formado por quatro oficiais, um soldado que já havia sido preso por conivência com traficantes, na sexta-feira passada.A investigação que levou às prisões foi feita pela própria PM, durante dois anos, segundo o coronel Romildo Corrêa, comandante do Batalhão de Choque. Segundo ele, o ponto de partida foi um assalto ocorrido em junho de 2004. Um grupo armado rendeu vigias e roubou cinco caixas e um cofre da sede da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), na Tijuca (zona norte). Na ocasião, cinco pessoas foram presas - entre elas um sargento da PM, que chegou ao local numa patrulha do batalhão responsável pelo policiamento no bairro, fingindo que procurava um rapaz que teria pulado o muro. O montante roubado estaria entre R$ 850 mil e R$ 1 milhão. O coronel disse que analisou cuidadosamente informações obtidas através da quebra de sigilo telefônico e bancário e de contas reversas e chegou a 17 policiais - quatro capitães, dois sargentos e onze soldados -, que hoje são lotados em cinco unidades da PM: os batalhões da Tijuca, São Cristóvão e Três Rios (no interior do Estado), a Diretoria Geral de Pessoal e o Grupamento Especial Tático-Móvel (Getam). Todos foram indiciados. Somente seis tiveram a prisão decretada pela Justiça Militar, embora, segundo o coronel, haja "provas fartas, exuberantes e taxativas" contra todos. As prisões foram decretadas na quinta-feira, exceto a de um soldado, que já estava preso havia uma semana, por ocasião da operação Tingüí (cujo objetivo era capturar PMs ligados ao tráfico). A quadrilha atuava havia pelo menos seis anos e praticava, em média, quatro ou cinco roubos a caixas eletrônicos por mês. Seus integrantes participavam diretamente das ações e ainda davam cobertura para que os veículos com os caixas pudessem fugir sem problemas. Policiais civis No caso do roubo à Columrb, o comboio de carros de bandidos e patrulhas que faziam escolta chegou a ser parado por um grupo de seis policiais civis, da Delegacia de Roubos e Furtos. Eles prenderam cinco pessoas - o grupo era maior mas, ao que tudo indica, uma parte acabou liberada. De acordo com o coronel, os agentes teriam sido chamados por um membro da quadrilha, que traiu os demais para ficar com mais dinheiro na hora da partilha do montante roubado. Apesar de haver indícios da conivência dos agentes com o grupo, eles não foram incluídos no Inquérito Policial Militar (IPM) presidido pelo coronel, uma vez que não são militares. Outros dois PMs que estavam junto com os policiais civis no momento da interceptado, mas não estavam de serviço, também são suspeitos, mas não foram indiciados (por estarem de folga, não incorreram em crime militar). Todos poderão ser expulsos da PM. O comandante da corporação, coronel Hudson Miranda, foi informado do resultado do inquérito em setembro, quando o trabalho foi concluído.O cabeça do grupo, um assaltante civil, ainda está em liberdade. Mesmo assim, com a prisão dos PMs, o número de roubos e furtos foi bastante reduzido, disse o coronel Corrêa. Ele defendeu a intensificação do combate a policiais corruptos. "Não poupei ninguém. O dia em que acabarmos com a violência e a corrupção policial, vamos reduzir a criminalidade."

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