Seis são indiciados por seqüestro de Patrícia Abravanel

A Delegacia Anti-Seqüestro (Deas) de São Paulo encerrou hoje o inquérito do seqüestro da estudante Patrícia Abravanel e indiciou seis acusados de participar do crime. Cinco deles estão presos e um continua foragido: Marcos Batista dos Santos, que está com prisão temporária decretada por 30 dias. Patrícia não foi ouvida pela polícia, o que ocorrerá em data a ser definida.Os acusados pelo crime são Marcos, Marcelo, Fernando Dutra Pinto e seu irmão Esdras e as namoradas dos Dutra Pinto, Luciana dos Santos Souza, a Jeniffer, e Tatiane Pereira da Silva. Eles foram indiciados por extorsão mediante seqüestro e formação de quadrilha.Giudice afirmou hoje que não existe prova que ligue, por enquanto, Josiane Santos Batista ao seqüestro de Patrícia. Um revólver de Josiane foi apreendido com a quadrilha. Condenada por roubo, ela está foragida.Alckmin e SilvioO governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, negou hoje que as negociações com Fernando já estivessem concluídas quando foi à casa do empresário Silvio Santos. Alckmin reafirmou que sua ida à casa foi requisitada pelo empresário.Silvio Santos mudou seus planos hoje. Em vez de viajar neste feriado com a família, resolveu adiar o embarque para a próxima semana. Recolhidas numa fazenda de amigos no interior paulista, a mulher e as quatro filhas do casal devem embarcar ainda neste fim de semana. O destino mais provável é a Flórida, onde Silvio Santos tem casa. Silvio teria preferido ficar no Brasil por mais alguns dias para aumentar o estoque de gravações de programas, o que lhe permitirá ficar mais tempo fora da cidade.FamososO investigador Reginaldo Guatura Nardes, do 91º Distrito Policial, no Ceagesp, disse hoje que a desastrada tentativa de prender Fernando Dutra Pinto num flat de Alphaville foi motivada pela busca da fama e do sucesso profissional. Apesar disso, a Corregedoria decidiu requerer ao Conselho da Polícia Civil o afastamento do policial e do delegado titular do 91º DP, Antônio Bélio.Na tentativa de prender Fernando dois investigadores - Paulo Tamotsu Tamaki e Marcos Amorim Bezerra - foram mortos e Nardes, ferido no ombro. Atingido nas nádegas, Fernando Silvio Santos refém por mais de sete horas na casa dele no dia seguinte.Nardes foi ouvido hoje no inquérito que apura as mortes dos dois policiais civis. "Nós quisemos ficar famosos, só isso", disse. "Tentamos encanar ele (prendê-lo), só isso nós fizemos. Todo policial almeja o sucesso profissional."FalhasSegundo o delegado da corregedoria Gilberto Peranovich, responsável pela investigação juntamente com o delegado José Eduardo Ferreira Ielo, os policiais cometeram uma série de irregularidades funcionais e falhas na abordagem do criminoso. "Eles estavam fora da área do distrito, não houve comunicação com a Delegacia Anti-Seqüestro, não pediram reforço e não se prepararam adequadamente para a ocorrência."Em seu depoimento na delegacia de Barueri, Nardes disse que houve apenas um tiroteio entre os policiais e o seqüestrador quando Fernando foi "mais rápido". "Ele foi rastejando, com os dois revólveres na mão, atirou nos dois policiais e os usou como escudo."Nardes ainda disse que o reforço demorou muito para chegar e negou que os policiais tenham tentado extorquir o bandido. "Ninguém visou dinheiro lá." A corregedoria considera difícil reunir provas de um eventual caso de corrupção. "Só São Pedro vai poder dizer. Esta é uma prova muito difícil e talvez nunca seja feita. Por enquanto, vamos trabalhar com fatos claros e objetivos", explicou Peranovich.

Agencia Estado,

06 de setembro de 2001 | 21h53

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