Sem acordo entre Estado e Masp, MP pode intervir

Ministério Público, que convocou reunião, pode pedir abertura de ação civil pública e só aguarda perícia sobre a situação financeira do museu

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2007 | 00h00

Convocada pelo Ministério Público Estadual (MPE), uma reunião de quatro horas entre a direção do Masp e o governo do Estado não deu em nada. O MPE já admite que, "caso não seja possível uma aproximação entre as partes", um inquérito poderá até conduzir ao pedido de abertura de uma ação civil pública contra o museu, que pode eventualmente levar a uma intervenção. Para tanto, a promotora Mariza Schiavo Tucunduva aguarda resultado da perícia no Masp, conduzida por técnicos do MP, para verificar a real condição financeira da instituição."O Estado demonstrou interesse em auxiliar o museu, mas há dificuldades", afirmou Mariza, que conseguiu reunir frente a frente Julio Neves, presidente do Masp, e Ronaldo Bianchi, secretário-adjunto de Cultura do Estado de São Paulo. Mariza conduz o processo cível no MP sobre o caso que resultou no furto de duas obras-primas do acervo do museu. "Acho que um acordo seria mais interessante para todos. Afinal, trata-se do interesse coletivo."Segundo Mariza, Neves alega que esbarra em problemas burocráticos e de outras naturezas - que não chegou a detalhar - para chegar a um acerto com o Estado. Bianchi, por sua vez, considerou o encontro totalmente infrutífero. "Infelizmente, não se pode chegar a nenhum consenso porque faltam dados. Ele (Neves) ficou de esclarecer, de montar, de trazer. Eu apenas ouvi. Mas acho que o tempo dele está se esgotando."Entre 14h30 e 18h30, os três discutiram os motivos da resistência de Neves a abrir a gestão - o Masp é administrado atualmente por uma associação civil de direito privado -, de forma a facilitar o enfrentamento da crise financeira. Julio Neves argumentou que a instituição segue rigorosamente seus estatutos, o que impediria uma ingerência externa. Não houve discussão mais forte, segundo a promotora, mas apenas "divergências de posições". O Ministério Público apura em duas frentes a questão do Masp: Marisa Tucunduva conduz a parte cível e o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) trata da parte criminal. Na quinta-feira, o promotor Arthur Lemos informou que foi conduzida uma nova perícia no museu para checar a segurança. Na investigação do crime, o Gaeco, segundo Lemos, centra suas forças agora nos possíveis receptadores das obras furtadas. O secretário-adjunto de Cultura foi quem pediu, há meses, a investigação no MPE. Ele considera que o modelo administrativo seguido pelo Masp caducou e são necessárias as interferências estatais.No domingo, em entrevista ao Estado, Bianchi defendeu a estatização do Masp, tese encampada por mais de 50 intelectuais do País - entre eles o filósofo José Arthur Gianotti, o ex-conservador-chefe do Masp, Luiz Marques, professores da Universidade de São Paulo (USP), galeristas, museólogos e curadores. Eles organizaram um abaixo-assinado em que pedem a intervenção do Estado. A reportagem procurou ontem Julio Neves, mas não conseguiu localizá-lo para comentar o assunto.

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