Sem acordo, greve de ônibus em São Paulo continua

Depois de mais de três horas de reunião, acabou sem acordo a audiência de conciliaçãoentre os representantes do Sindicato dos Motoristas e Cobradores, da SPTrans, empresa da Prefeitura de São Paulo, e Transurb, o sindicato dos patrões, presidida pelo juiz João Carlos Araújo, vice-presidente judicial do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Nova audiência foi marcada para às 11h30 desta terça, com o julgamento da greve ocorrendo às 17 horas.Embora o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores, Edivaldo Santiago da Silva, tenha afirmado, ao final da reunião, que a categoria ia decidir em assembléias setoriais, a serem realizadas durante a madrugada desta terça nas garagens, se aceitavam atender à determinação do TRT de volta imediata ao trabalho, cerca de 200motoristas e cobradores reunidos em frente ao prédio do tribunal fizeram uma assembléia e decidiram prosseguir com a greve por tempo indeterminado.O impasse na conciliação surgiu quando o juiz Araújo propôs que 50% dos 10.800 trabalhadores das nove empresas fechadas fossem absorvidos pelo sistema de transporte da cidade, enquanto os 50% teriam suas jornadas de trabalho e seus saláriosreduzidos e pagos pela SPTrans. O representante da SPTrans não concordou.Foi sugerido então que os recursos seriam obtidos na conta-sistema, cujo dinheiro de venda depasses e vale-transporte é repassado para as empresas pela SPTrans. Os empresáriosnão aceitaram, apesar dos insistentes pedidos do secretário municipal dos Transportes,Jilmar Tatto, para que eles colaborassem."Vocês devem colaborar com o pagamento, pois esses funcionários foram jogados aoléu devido a empresários irresponsáveis. Nós não podemos assumir dívidas deempresas podres", afirmou Tatto."Mal consigo pagar os salários dos meus empregados, como vou assumir a dívida deterceiros", reagiu Sérgio Pavani, presidente do Transub.Para Santiago Silva, a "responsabilidade é da Prefeitura, pois esse problema foi elaquem criou uma vez que contratou esses empresários". Para o líder sindical, "o secretário precisa acabar com essa arrogância e assumir seus erros"."O sindicato não está preocupado em garantir o emprego dos trabalhadores, mas em causar bagunça na cidade e defender empresários podres que tiramos do sistema", disse Tatto. "Não podemos assumir o passivo desses empresários. Nós temosoperadores, linhas e terminais, não é possível que uma entidade cause o caos no transporte da cidade. Isso já caso para a polícia."

Agencia Estado,

07 de abril de 2003 | 20h37

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