Sem acordo na convenção

Na semana que antecede a convenção nacional (dia 29 próximo), as correntes em disputa pelo comando do PSDB dão por perdidas as chances de um acordo capaz de pacificar o partido. As últimas manifestações dos porta-vozes dos ex-governadores de Minas e São Paulo sintetizam o clima: de um lado, os aecistas lembram a frase de Tancredo Neves de que não se faz política sem vítimas; de outro, surge a ameaça de judicializar o processo, se José Serra for derrotado.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

Materializam a disputa os cargos de presidente, secretário-geral e a direção do Instituto Teotônio Vilela (ITV), este último depositário de porcentual significativo do Fundo Partidário que, em 2011, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estima em R$ 11 milhões para o partido.

Aécio Neves trabalha pela reeleição do deputado Sérgio Guerra à presidência, pela permanência do deputado mineiro Rodrigo de Castro na secretaria-geral e pela eleição do ex-senador cearense Tasso Jereissati à presidência do ITV.

O ex-governador de Minas opera obstinadamente as bancadas regionais pela adesão à sua tese de "despaulistização" do partido em favor de uma maior capilaridade nacional que reduza sua dependência do eleitorado do Sudeste. O que soa como música aos ouvidos das bancadas do Norte e Nordeste.

Terça-feira passada, uma reunião das bancadas da Câmara e do Senado deixou claro que o fim da hegemonia paulista é forte aliado do senador mineiro.

Aécio tem dito a interlocutores que prefere "quebrar ovos" e definir um vitorioso a manter a disputa interna, que impede uma estratégia para 2014.

Xadrez mineiro

A estratégia de Aécio na tentativa de consolidar-se como candidato do partido em 2014 à sucessão de Dilma Rousseff considera que a candidatura de Gilberto Kassab ao governo paulista "amarrou" o governador Geraldo Alckmin à cadeira, impondo-lhe a reeleição. Tese reforçada pelo ingresso de seu vice, Afif Domingos no recém-fundado PSD, onde é alternativa à sucessão do atual prefeito de São Paulo. O ostensivo empenho do ex-presidente Lula em quebrar uma hegemonia tucana de 16 anos no Estado completa a conveniência de Alckmin ficar onde está e de Serra conformar-se em voltar à Prefeitura de São Paulo.

Ponte nordestina

Sem perder o foco nas articulações internas, Aécio conversa com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, principal liderança do PSB e passaporte nordestino indispensável a qualquer candidato presidencial. Campos busca visibilidade nacional e autonomia política que viabilizem voos mais altos ainda em 2014, se as circunstâncias autorizarem.

Sem força

Obstruído pelas suspeitas de tráfico de influência de seu principal articulador político, ministro Antonio Palocci, o governo volta enfraquecido à votação do novo Código Florestal, prevista para depois de amanhã. Sem muitas esperanças de reverter a maioria favorável ao relatório do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), já se fala em veto presidencial ao que vier a ser aprovado contra a vontade do Planalto.

Sem pressão

O episódio Palocci ofuscou o "gabinete de crise" da ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, montado para denunciar o aumento do desmatamento.

Ciro

Sem espaço no PSB, Ciro Gomes já conversa com o PDT.

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